Cerco à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Vinte e oito mandados de prisão preventiva foram cumpridos ontem contra líderes do grupo em Minas. Todos estão diretamente ligados aos ataques a ônibus que aterrorizaram dezenas de cidades mineiras no mês passado, segundo as forças de segurança do Estado.

Dentre os alvos, 23 homens que já estavam atrás das grades. Agora os detentos terão as penas elevadas e serão transferidos para uma penitenciária em regime disciplinar diferenciado – o que será aplicado pela primeira vez no território mineiro. Na prática, os criminosos ficarão em celas individuais e perderão benefícios como banho de sol, indulto de Natal e direito a visitas. 

Três suspeitos foram capturados e dois ainda são procurados pela polícia. A ação contou com a participação das polícias Civil e Militar, Secretaria de Administração Prisional (Seap) e Ministério Público (MP). Os homens foram denunciados por associação ao tráfico, incêndio, dano qualificado e organização criminosa com emprego de arma de fogo. 

No interior

O próximo passo, além de encontrar a dupla foragida, é prender as pessoas que atearam fogo nos coletivos. “O objetivo inicial era pegar os mandantes. Agora vamos realizar outras operações no interior do Estado, especialmente no Triângulo e no Sul, para prendermos os executores, que são pessoas de menor importância no PCC”, afirmou o procurador-geral do MP, Antônio Sérgio Tonet.

Até o momento, 90 pessoas foram presas em Minas por envolvimento com os ataques a ônibus. A informação é do superintendente de Investigação da Polícia Judiciária, Carlos Capistrano. Durante a operação de ontem também foram apreendidos 29 celulares, drogas e anotações e cadastros da organização criminosa, que, conforme o delegado, poderão orientar as próximas ações dos investigadores. 

Dentre os alvos, estão 23 homens que já estavam atrás das grades e que agora terão as penas elevadas e perderão benefícios como banho de sol, indulto de Natal e visitas

As forças de segurança, no entanto, não descartam a possibilidade de novos incêndios em retaliação às medidas adotadas. No entanto, o coronel Helbert Figueiró de Lourdes, comandante-geral da Polícia Militar em Minas, diz que a corporação estará preparada. “Os ataques podem voltar, mas, se começarem, estamos prontos para responder com muita força”, garante.

Isolamento

O encarceramento mais rigoroso será adotado porque “as lideranças já demonstraram que estão comandando os ataques dentro da prisão, em regime normal”, como afirma a promotora de Justiça Cássia Virgínia Gontijo, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

Ela ainda lembra que uma das medidas estudadas pela Seap é a adoção de bloqueadores de celulares no presídio em que essas pessoas ficarão. No entanto, Cássia reconhece que a fiscalização deve ser mais rigorosa. “Mesmo sem telefone, eles ainda poderiam se comunicar através de bilhetes ou visitas. Agora vamos tentar restringir isso com o regime diferenciado”, diz.