A Secretaria de Estado de Saúde (SES) vai rastrear garotas que deixarem de tomar a segunda dose da vacina contra o HPV. O objetivo é alertar os pais para a importância da imunização, que depende de reforços para ser eficaz. O Papiloma Vírus Humano provoca câncer de colo de útero, a segunda causa de morte entre brasileiras. Por ano, são 5 mil vítimas.

A campanha de vacinação vai até amanhã. Mas a chance de bater a cobertura alcançada na primeira etapa, em março, é praticamente nula. Até o dia 25, só 13,5% das mineiras de 11 a 13 anos haviam sido imunizadas, contra 89,08% na fase anterior.

Coordenadora de imunização da SES, Tânia Brant diz que a menor procura do público-alvo pelo reforço é comum, qualquer que seja a vacina. Ela admite, porém,
que notícias sobre paralisias temporárias em garotas no interior de São Paulo possam ter contribuído para a baixa adesão.

“Não há motivo para medo. A vacina é segura e importante”, reitera. Não se comprovou, ao menos por enquanto, qualquer ligação entre os sintomas das estudantes paulistas e a fórmula contra o HPV. Efeitos colaterais existem, mas em geral não passam de dor no local da injeção e febre baixa. Desmaios podem acontecer, mas têm, segundo Tânia, viés emocional.

“É mais pelo medo das adolescentes. Daí recomendarmos que estejam sentadas durante a aplicação”. O transtorno mais grave, o choque anafilático, pode levar à morte, mas é raro.

Nenhuma dessas complicações fez Raquel Jardim cogitar a hipótese de deixar as filhas Marina, de 13 anos, e Ana Clara, de 12, desprotegidas. A mãe conta
que as garotas até manifestaram um pouco de receio quanto à dose complementar, após saberem das reportagens sobre as meninas de São Paulo.

A posição dos pais, porém, é a de que os benefícios superam eventuais riscos. “Crianças não têm idade nem maturidade para decidir. Se médicos e especialistas indicam, é porque faz bem”, diz Raquel.Mesma opinião tem Cleide Fernandes Gomes, mãe de Gabriela, de 12 anos. Orientada pela pediatra da filha, ela já estava determinada a pagar pela vacina quando o Ministério da Saúde anunciou que iria fornecê-la de graça. “Vacinei a Gabriela pelo SUS. Ela não sentiu nada”.

BUSCA ATIVA

O reforço contra o HPV será dado nos centros de saúde. Basta levar a caderneta de vacinação e a identidade. Quem não comparecer até amanhã poderá procurar qualquer posto depois.

A SES vai esperar essa demanda voluntária até o fim do ano, quando recorrerá ao cadastro das garotas feito na primeira fase da campanha para identificar quem não tomou a segunda dose. Profissionais do Programa de Saúde da Família vão abordar os pais para entender os motivos da ausência e orientá-los a colocar o cartão de vacinas em dia.

“Sem o complemento, a menina tem anticorpos, mas não em quantidade suficiente para protegê-la do vírus”, diz Tânia. Na prática, é como se não estivesse imunizada. Se tiver relação sexual com um homem contaminado, poderá se infectar. Uma terceira injeção deve ser tomada 60 meses após a primeira.