O modelo de ensino que mescla aulas presenciais e a distância deve ganhar força no ensino superior no pós-pandemia. A expectativa é a de que instituições adotem cada vez mais o sistema híbrido. Atualmente, regulamentação do Ministério da Educação (MEC) prevê até 60% das disciplinas em encontros nas dependências das universidades e o restante de forma on-line.

Pesa, ainda, a preferência de alunos pelo formato virtual. De acordo com especialistas, estudantes que até então tinham resistência à EAD aprovaram a migração para as plataformas digitais. A interação eficaz com os professores, somada às facilidades de não pegar trânsito, por exemplo, são atrativos.

Com o ensino híbrido, a ideia é aproveitar a estrutura das aulas remotas, autorizadas pelo governo federal por conta da pandemia. A previsão é de que a permissão dure até o fim do decreto de calamidade pública.

“Depois, quando tudo voltar o normal, as atividades presenciais deverão ser retomadas, mas, num primeiro momento, acredito que as faculdades vão explorar os 40% (de aulas on-line) que ditam a lei”, avalia o consultor educacional Pedro Roberto Grosso.

Modelo modificado

“A educação superior não será mais a mesma após a pandemia; o modelo será modificado”, complementa o diretor Acadêmico das Faculdades Kennedy e Promove, Natanael Aleva.

Segundo ele, as duas instituições já caminhavam para o ensino híbrido, processo acelerado pelo momento atual. Agora, após pesquisas realizadas com estudantes e professores das faculdades, o formato tende a se consolidar.

O levantamento apontou que, após a pandemia, 64% dos alunos matriculados em cursos presenciais gostariam de ter apenas aulas remotas. Em relação aos docentes, o índice é 87%.

Para Andréia Oliveira Paiva, de 40 anos, matriculada no terceiro período do curso de Jornalismo das Faculdades Promove, a interação entre a turma e os professores no ambiente on-line fez a diferença. “No início, os colegas estavam com receio. Mas não são aulas ‘frias’, são como uma espécie de live, podemos tirar dúvidas ali, na hora. O suporte que temos está sendo essencial”, comenta.

Dentro do contexto da pandemia e do ensino remoto, as aulas que exigem a presença física poderão ser realizadas com o retorno às atividades normais. Para especialistas, a lei que prevê 60% das disciplinas com encontros nas dependências das instituições deverá ser revista mais para frente, com expectativa de redução desse percentual

Aluna do terceiro período de Publicidade e Propaganda da mesma instituição, Yasmin Gonçalves de Souza, de 25, também destaca as oportunidades criadas com o modelo. “A gente não perdeu no relacionamento com os professores. Outro ponto positivo é a aula gravada. Assistimos ao vivo, mas depois podemos voltar para estudar para a prova ou um trabalho”.

Natanael Aleva frisa que a preparação para o formato híbrido já vem ocorrendo há um ano. “Implantamos o Google for Education, capacitamos os professores. Também vem ao encontro do nosso público, que já faz parte dessa geração digital”, diz o diretor acadêmico.

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