Mães, pais e responsáveis por adolescentes que tentam uma vaga na Escola Estadual Bolivar Tinoco Mineiro, no bairro Ribeiro de Abreu, região Nordeste de Belo Horizonte, passaram mais de 20h em uma fila na porta da unidade nesta quarta-feira (19). Eles tentavam matricular os estudantes no 1º ano do ensino médio.

As primeiras pessoas chegaram na fila às 10h da manhã de terça-feira (18). As matrículas começaram a ser feitas às 8h e terminaram por volta das 10h desta quarta, segundo informações de funcionários da escola. 25 vagas eram disputadas pelas famílias.

A Secretaria de Estado de Educação (SEE) diz que o problema não está relacionado à falha na informatização do processo de matrícula, que causou adiamentos e filas em escolas de todo o Estado no início deste mês. Segundo a pasta, a escola Bolivar Tinoco tem alta demanda histórica.

A secretaria também informou que houve uma nova matrícula na escola pois, com a alta demanda por turma de 1º ano foi autorizada a abertura de mais uma sala, com 25 vagas. É para este processo que os pais formaram a fila testemunhada pelos funcionários esta manhã.

No início de fevereiro, já com o calendário escolar em andamento, pais, mães e responsáveis formaram filas em frente a unidades de ensino devido ao atraso em pré-matrículas. Em algumas escolas, os adultos chegaram a dormir em filas buscando por vagas remanescentes.

As falhas no sistema do governo de Minas chegaram a impactar a rede municipal de Belo Horizonte, já que os dois processos de matrícula ocorrem de forma parametrizada.

Nessa terça-feira (18), a Prefeitura de Belo Horizonte protocolou uma representação no Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) contra o Estado para garantir que o governo cumpra sua parte na divisão de vagas. Segundo a prefeitura, o governo de Minas mudou de forma unilateral um sistema já adotado há 20 anos e a rede de BH ficou apertada, operando em capacidade máxima.

Segundo a PBH, o ano letivo começou no dia 12 de fevereiro com 12 mil alunos matriculados. Já o governo de Minas seria responsável por cerca de 8.000 crianças, das quais 2.715 continuam sem vaga para estudar. "Essas famílias pertencem à jurisdição de escolas estaduais onde não há escolas da rede de BH para atendê-las", diz a prefeitura.

A Secretaria Municipal de Educação diz que entregou ao MPMG a lista com o nome das crianças sem vagas e das escolas estaduais próximas, mas que o Estado tem se recusado a atender essas famílias.

A SEE, por sua vez, diz que ficou sabendo do protocolo pela imprensa e que não recebeu "da PBH qualquer sinalização neste sentido (destes problemas com vagas) e que está agindo de imediato para resolver o problema.

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