“O professor conhece da área, mas não sabe ensinar”. A frase é comum na boca dos alunos das universidades e reflete um problema antigo dessas instituições brasileiras: acostumados com a pesquisa acadêmica, os docentes chegam às salas de aula sem experiência didática. 

Atentos ao cenário, gestores das universidades privadas estão investindo cada vez mais na capacitação deles. No Centro Universitário UNA, por exemplo, os professores participam, a cada semestre, de um simpósio de atualização. 

De acordo com a vice-reitora, Carolina Marra, os temas trabalhados são identificados com os funcionários. “Chamamos especialistas para debater a formação e realizamos oficinas. Pode ser sobre como elaborar uma prova, como lidar com um aluno transgênero ou desenvolver uma apresentação de power point”.

A UninCor desenvolveu um setor para pensar a formação desses profissionais; são promovidos seminários, encontros e palestras como forma de assessorar os professores

A UninCor foi além: desenvolveu um setor apenas para pensar a formação dos profissionais. O Núcleo de Orientação Psicopedagógica é voltado à inovação educacional para a qualidade de  ensino, pesquisa e extensão. “Promovemos palestras, encontros, seminários e cursos para assessorar nas atividades do docente”, conta a reitora Gleicione de Souza.

Outras universidades apoiam os professores através de subsídios para um novo curso de pós-graduação. É o caso da Fumec. “É prática comum aprovarmos bolsas para que o nosso empregado curse um novo mestrado ou doutorado”, diz o reitor, Fernando Nogueira.

Feedback

Identificar os problemas apresentados em sala de aula passa diretamente pela avaliação do profissional. Para tentar calibrar a visão dos alunos, da coordenação e do professor, a UNA realiza um feedback conjunto e gera um relatório semestral.

Metodologias inovadoras são recompensadas. Criado em 2013, o Prêmio Padre Geraldo Magela reconhece anualmente o esforço dos docentes em avançar no conteúdo e replicar o conhecimento. Professor dos cursos de comunicação, Luiz Lana venceu em 2014 e 2015 na categoria “grupo”, ao lado das professoras Clara Teixeira e Juliana Lopes. Ele identificou deficiências na bagagem cultural dos alunos e criou um jogo de RPG abordando atualidades. 

Como prêmio, Lana visitou universidades no Chile. “Trocamos experiências, foi enriquecedor. O apoio da UNA me transformou em um professor mais competente”.

Em estado de atenção

Especialista em didática do ensino superior, Angela Dalben frisa que ouvir as carências do professor e estar atenta às necessidades de aprimoramento são fundamentais para a universidade manter a qualidade do ensino. “Não pode se basear apenas no número de artigos acadêmicos publicados ou nas pesquisas desenvolvidas. Os professores que não são da licenciatura chegam sem a empatia para entender o processo de aprendizagem do outro”.

Angela acredita que políticas institucionais, como o núcleo da UninCor, tendem a ser cada vez mais frequentes. “As universidades identificaram esse revés e estão se armando contra o problema através de setores dedicados”.