Dados preliminares do Carnaval 2020 em Minas Gerais mostram que houve redução em 2020 no número de crimes violentos, furtos e acidentes em rodovias estaduais. Já as mortes nas estradas e os casos de importunação sexual na folia em BH subiram.

Segundo o assessor de imprensa da PM, capitão Cristiano Araújo, tanto em Belo Horizonte quanto no interior do Estado, os crimes violentos tiveram redução de 30% da noite de sexta-feira (21) até terça-feira (25). São considerados crimes violentos os estupros, extorsões, homicídios, roubos, sequestros e cárcere privado.

"A gente acredita que alguns fatores contribuíram para conseguirmos isso. A ajuda do pessoal dos blocos cumprindo os trajetos e horários, o policiamento em zigue-zague dentro dos blocos, com incursões de grupos de oito a dez policiais em zigue-zague, a comunicação via rádio", afirmou Araújo.

Os furtos, que são as subtrações de bens sem uso de violência, caíram menos: 17% em BH e 19% em todo o Estado, enquanto os roubos de celular ficaram na média dos crimes violentos: queda de 29% em BH e 26% em Minas.

A tecnologia do botão de pânico, que foi colocado em dois totens, um na Pampulha e outro na praça da Savassi, na região Centro-Sul, foi considerada um incremento à estratégia de segurança. Em BH, os casos de importunação sexual aumentaram de 12 em 2019 para 18 em 2020 e a tecnologia, segundo Araújo, ajudou no mapeamento das ocorrências.

"Além do totem e das câmeras, nós tivemos o videomonitoramento por meio de drones, o que nos auxiliou bastante a verificar ocorrências nos blocos. Em alguns casos, a equipe de policiais que estava dentro do bloco já era avisada via rádio e fazia abordagens, evitando crimes ou fazendo prisões em flagrante", disse o militar.

Nas rodovias estaduais, o número de acidentes caiu 25%, mas as mortes subiram. Em 2019, 18 pessoas perderam a vida no Carnaval, número que subiu para 22 em 2020. "A gente faz um apelo para que as pessoas respeitem as leis de trânsito e voltem da folia com segurança", comentou Araújo.

As informações são da Polícia Militar (PM), que ainda está consolidando os dados para apresentá-los em coletiva de imprensa. Ainda estão sendo aguardadas as ocorrências registradas nesta quarta-feira (26), que ainda tem blocos nas ruas da capital.

Abusos

O capitão analisou também as denúncias de abuso de autoridade por parte da polícia no Carnaval de 2020. Neste ano, blocos reclamaram de intimidações de policiais, com relatos de invasão a casa de um organizador de bloco e truculência com foliões na praça da Estação.

"Nós montamos uma ouvidoria e a corregedoria vai não só dar voz como apurar, dando espaço ao contraditório, todos os relatos. É importante que estes relatos sejam apurados, pois a PM não coaduna com qualquer tipo de abuso de autoridade. Relatos não podem manchar a imagem de 38 mil homens que estão nas ruas", considerou Araújo.

Na segunda-feira, a Defensoria Pública de Minas Gerais emitiu uma recomendação para que PM não interfira nos desfiles dos blocos de Carnaval. A medida foi tomada após artistas de BH afirmarem que a PM foi à casa do vocalista do grupo Havayanas Usadas, Heleno Augusto, e solicitou que, durante o trajeto do bloco, o trabalho da corporação fosse exaltado.

Os grupos da festa em Belo Horizonte se sentiram intimidados com a ação, mas a corporação afirmou que se tratava de uma visita com caráter preventivo. 

O órgão recomenda que, tanto a PM quanto os Bombeiros, "se abstenham de interferir no cortejo de blocos carnavalescos autorizados a desfilar" e de "deter qualquer indivíduo e direcioná-lo sobre o conteúdo de suas falas - principalmente os líderes/responsáveis pelos blocos".

Na terça-feira (25), o governador de Minas, Romeu Zema (Novo), se manifestou sobre os casos por meio do Twitter. Ele disse que vai "apurar as denúncias e abrir investigação para identificar os responsáveis. Se comprovada a má conduta, os autores serão penalizados."

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