Após redução de R$ 65 milhões no orçamento deste ano, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) ainda encara o temor de novos cortes para 2022 – na casa dos 16%. Em meio à queda no repasse, a reitoria, em processo de reeleição, luta no Congresso Nacional para recompor a verba. Por conta da diminuição de recursos, a instituição corre o risco de ficar devendo.

Em entrevista ao Hoje em Dia, a reitora Sandra Goulart Almeida afirmou que a gestão tem feito de tudo para priorizar as ações de ensino, pesquisa e extensão. Para isso, foi necessário um remanejamento. “A gente não está diminuindo, porque isso é prioridade. A gente corta em outras coisas, como em manutenção e obras”, disse.

Em outra frente e juntamente com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a universidade tenta reaver o montante cortado do orçamento junto ao governo federal. “Estamos em contato com o Parlamento para recompor o orçamento deste ano. Ao mesmo tempo, estamos trabalhando em relação ao do próximo ano”.

Vetos presidenciais às verbas para instituições públicas de ensino representam corte que só pode ser revisto por meio de projetos de lei do Congresso. “Se a gente não tiver o orçamento para terminar o ano ao longo desses anos todos, não vai conseguir pagar algumas das contas. Estamos trabalhando para que isso não aconteça”, afirmou.

Neste ano, a UFMG sofreu corte de 31% na verba, entre vetos e bloqueios, que tiveram partes revertidas em agosto. Pensando em 2022, já há uma discussão para recomposição. “Estamos muito preocupados neste momento justamente com a possibilidade de termos mais cortes em cima de cortes, e isso tem afetado muito a universidade”, frisa Sandra Goulart.

Ao mesmo tempo que batalha para recuperar os investimentos, a reitora pleiteia reeleição para o quadriênio 2022-2026. O atual mandato termina em março. Na última quinta-feira, houve consulta à comunidade universitária para elaboração da lista tríplice, que será encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro para designação do novo reitorado. 

Outros cortes

Em outubro, projeto aprovado pelo Congresso retirou mais de R$ 600 milhões de recursos para pesquisa. Com isso, o Centro Nacional de Vacinas, sediado em Belo Horizonte, pode não sair do papel. A iniciativa, uma parceria entre Governo de Minas, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e a UFMG, foi oficializada em setembro.

Para viabilizar o projeto, a federal contava com R$ 50 milhões da União e R$ 30 milhões do Estado. Apesar do corte, Sandra Goulart não descarta a construção da área. “Nossa grande preocupação é não conseguir a contrapartida que precisa do Ministério de Ciências e Tecnologia. Estamos trabalhando nesse momento para que os valores cheguem”.

Leia mais:

Inovação salvou empresas que dependiam da presença do público durante a pandemia
Com 55 anos de história, Colégio Pitágoras anuncia fim das atividades em BH