Está preso o policial militar reformado suspeito de matar a mulher a tiros no bairro Mariano de Abreu, na região Leste de Belo Horizonte. As investigações apontam que o homem, de 52 anos, não aceitava o fim do relacionamento.

O crime foi em 8 de outubro, mas o suspeito só foi detido na última sexta-feira (5). Segundo a Polícia Civil, no dia do assassinato, o investigado teria entrado na casa da vítima e, em menos de três minutos, descarregou a arma contra ela.

Chefe do Departamento Estadual de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Letícia Gamboge contou que a mulher pediu o divórcio depois de sofrer agressões físicas e psicólogicas durante 32 anos, inclusive com outros boletins de ocorrência já registrados contra ele. Porém, nos dois primeiros meses após o fim do relacionamento, o casal continuou morando junto na mesma casa.

Em 17 de junho, no entanto, o policial militar teria tentado estrangular a ex-companheira enquanto dormia. A vítima procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para registrar ocorrência e solicitar medida protetiva. Porém, diante de pedidos do suspeito e de familiares dele, pediu a revogação da ordem judicial dois meses depois.

Desde então, eles passaram a viver em imóveis separados. Durante esse período, os investigadores apuraram que “a vítima vivia em clima de tensão, compartilhando com familiares a rotina dela e dormindo com o quarto trancado, com objetos colocados atrás da porta para dificultar a entrada do ex-marido”.

O medo, porém, ganhou novos capítulos quando, em 4 de outubro, o militar tentou agredir novamente a ex e voltou a ameaçá-la. Um dia antes da morte, a mulher foi novamente à delegacia para pedir mais uma medida protetiva de urgência, mas não houve tempo hábil de ser expedida.

Ciclo de violência

A delegada Ingrid Estevam conta que a vítima guardava em arquivos pessoais fotos das marcas das agressões do ex-companheiro, inclusive um pedaço de cabelo que o homem teria arrancado dela. Em um dos episódios, a mulher teve o maxilar quebrado. “Ela guardou como forma de demonstrar as agressões que ela vivia com esse indivíduo”, afirmou a policial. 

De acordo com as investigações a filha do suspeito, de 28 anos, intervia para defender a mãe, motivo pelo qual também era agredida. “A vítima fez inúmeros registros na polícia, relatando as agressões, mas a família (do suspeito), muito desacreditada dessa situação, sempre tentava uma reconciliação, desacreditando as vítimas, tanto a mãe quanto a filha”, destacou.

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