Segundo os representantes das forças policiais, há indícios de que a quadrilha desmantelada em ação neste domingo (31), em Varginha, no Sul de Minas, seja a mesma que praticou ataques nas cidades em Criciúma (SC), Araçatuba (SP) e Uberaba (MG). A hipótese é reforçada pelo tipo de armamento apreendido, assim como alguns padrões. 

A informação foi dada durante entrevista coletiva realizada na tarde deste domingo, com a presença das polícias Militar, Civil e Rodoviária Federal e que trouxe esclarecimentos sobre a ação conjunta que terminou com 25 mortos. De acordo com os policiais, a ação foi planejada com antecedência e evitou maiores transtornos, como quando aconteceram os ataques em Minas e São Paulo, culminando na morte de civis e agentes da polícia

Semelhança com outros ataques

Os policiais contaram que, em Araçatuba, os carros usados na ação foram pintados de preto para dificultar a identificação durante a noite. No sítio, em que aconteceu a ação, em Varginha, foi encontrado um carro parcialmente pintado de preto e diversas latas de tinta spray. Outro indício de que poderia ser o mesmo grupo foi na forma que prepararam os explosivos que seriam utilizados no ataque à unidade bancária.

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Ação da polícia

De acordo com o inspetor Aristides Júnior, da PRF, a ação policial teve início quando os agentes perceberam uma movimentação atípica de veículos de outras regiões em Varginha. A partir daí, os serviços de inteligência deram início a uma operação conjunta.

Segundo o inspetor, a preparação para a ação foi realizada pelo Batalhão de Operações Especiais da PM (Bope) e pelo GRR (Grupo de Resposta Rápida) da PRF, que fica sediado em Brasília (DF). “A operação já tem tempo de investigação. Não foi feita em 24 ou 48 horas. Ela foi muito bem planejada para evitar que a quadrilha agisse, pois seria muito mais desastrosa, pois o risco para pessoas inocentes é muito maior. Assim, nenhum cidadão de Varginha e região foi colocado em risco. Esse é o ponto a se comemorar. No entanto, 25 integrantes da quadrilha morreram. Nossa ação era para fazer a prisão, mas como atacaram tivemos que responder."

$ 65 milhões

Sobre rumores de que os bandidos estariam interessados numa quantia de R$ 65 milhões, que poderia estar guardada em um centro de distribuição do Banco do Brasil, os policiais não confirmaram a informação. O que se acredita é que se tenha uma pessoa infiltrada para passar informações sobre o local do roubo. “Essas quadrilhas são muito organizadas a nível nacional e geralmente contam com um informante da cidade para oferecer estrutura mínima para elas praticarem o crime. Imaginamos que há uma pessoa envolvida”, aponta o tenente-coronel da PM, Rodolfo César Morotti Fernandes.

Fernandes ainda aponta que nenhum dos integrantes da quadrilha sobreviveu. Eles foram resgatados com vida, mas morreram durante o socorro. “Quando iniciamos a abordagem fomos recebidos a tiros e precisamos reagir. Foi prestado socorro aos bandidos com as viaturas, mas utilizamos armas de grande poder de fogo e que produzem grandes ferimentos”, explica.

Os corpos dos integrantes da quadrilha serão encaminhados para o IML de Belo Horizonte, onde serão identificados e posteriormente levantadas as fichas criminais.

Carreta

Na cidade de Muzambinho, a cerca de 140 quilômetros de Varginha, a polícia apreendeu uma carreta, que poderia ser usada na fuga dos criminosos. De acordo com os policiais que participaram da operação, no interior do implemento foi encontrado um fundo falso. 

Além disso, havia uma carga de calcário em parte da carreta, que serviria de camuflagem. No fundo foram encontrados colchonetes e garrafas de água. Os policiais acreditam que a quadrilha seria transportada no caminhão após abandonarem os veículos.

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