Tempero muito utilizado na culinária brasileira, o açafrão-da-terra (ou cúrcuma), que carrega propriedades antibacteriana, anti-inflamatória e antioxidante, também tem potencial para servir de matéria-prima na produção de curativos para tratamento de feridas causadas por machucados ou queimaduras.

A estratégia de pesquisadores da Embrapa, em conjunto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e a Universidade de São Paulo (USP), foi de combinar materiais biodegradáveis com curcumina – substância com ação medicinal extraída do açafrão-da-terra –, possibilitando a liberação controlada do princípio ativo.

Apesar de a aplicação limitada da curcumina, por ser pouco solúvel e facilmente degradada na presença de luz, os pesquisadores conseguiram vencer essas barreiras com a criação de um nanomaterial baseado em membranas poliméricas (mistura biodegradável de microfibras de poliácido láctico e borracha natural), que permite a liberação lenta da curcumina.

O resultado de quatro anos de pesquisa foi uma manta fina e amarela como o açafrão, que consegue proteger lesões de ações externas como exposição à luz solar e contaminação por microrganismos.

Flexibilidade

Além disso, o produto apresenta flexibilidade, elasticidade, biocompatibilidade e capacidade de realizar trocas gasosas, o que auxilia no processo de cicatrização da pele.

A vantagem do modelo diante de outros curativos tradicionais é que o produto ajuda a preservar o meio ambiente, já que é fabricado a partir de plásticos biodegradáveis.

Orientador da pesquisa, o pesquisador da Embrapa Daniel Silva Corrêa ainda explica que o curativo apresenta duas camadas. A inferior, que entra em contato com a pele, é composta por uma mistura biodegradável de microfibras de poliácido láctico (PLA) e de borracha natural (BN), contendo o composto bioativo curcumina.

“Já a camada superior, exposta ao meio externo, composta apenas por nanofibras de PLA, cumpre função dupla: faz a proteção da curcumina – contida na camada inferior – contra a fotodegradação e evita a penetração bacteriana externa”, acrescenta o pesquisador.

Em experimentos in vitro no laboratório com pele de porcos, os pesquisadores constataram que o curativo evitou a penetração de bactérias por 10 dias e demonstrou forte ação contra a Staphylococcus aureus, bactéria geralmente presente em feridas cutâneas e associada a infecções de pele.
O próximo passo é testar o novo curativo em pacientes e buscar parcerias para começar a produção em larga escala. O estudo foi publicado na revista científica Science Direct.

(*) Especial para o Hoje em Dia

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