Pelo menos 22 das 34 cidades da Grande BH já vacinam adolescentes de 12 a 17 anos, com e sem comorbidades. A capital anunciou ontem que começa semana que vem a imunização do grupo sem fator de risco. Apesar do alcance de mais de 60% da região, a campanha para essa faixa etária poderia estar ainda mais avançada, principalmente após as divergências entre o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária sobre a aplicação da dose.

Outras questões, principalmente de falta de planejamento, também impactam, destaca o infectologista Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Pandemia de BH. 

“Poderia ser bem mais rápido, se tivéssemos feito os acertos no ano passado com as indústrias produtoras e o Brasil não tivesse entrado em conflito diplomático com as duas nações produtoras dos insumos”, disse.

Outra questão é a recente discordância entre ministério e Anvisa. Na quinta-feira passada, uma nota técnica do governo federal havia indicado mudança na recomendação da aplicação da Pfizer nesse grupo. Apenas as pessoas com doenças crônicas, deficiência permanente e privadas de liberdade seriam vacinadas. Porém, a agência rebateu, reafirmando a eficácia e segurança da vacina. 

Na capital, imunização dos jovens sem comorbidade começa na quarta; clique aqui e veja o calendário

Minas, que havia indicado que seguiria as instruções do ministério, voltou atrás um dia depois, após a notificação do órgão regulador, e tornou a aconselhar a aplicação do escudo contra a Covid-19 em todos esses jovens, aos 853 municípios do Estado.

Para Tupinambás, a determinação da pasta pode ter prejudicado o andamento da imunização, atrapalhando algumas prefeituras no prosseguimento do processo. Em Vespasiano, na Grande BH, a aplicação chegou a ficar suspensa. Só nesta quarta-feira os adolescentes sem comorbidades serão protegidos contra o coronavírus.

Desabastecimento

Em meio às divergências, outro desafio é assegurar a vacinação para o restante dos adultos. Contagem chegou a sofrer com a falta de estoque da AstraZeneca por uma semana. Só na segunda-feira é que recebeu novas unidades para administrar a segunda dose. Santa Luzia, também na região metropolitana, viveu situação parecida e até suspendeu o reforço do imunizante de Oxford. 

O problema ocorreu em várias partes do país. A aplicação ficou comprometida devido ao desabastecimento do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) utilizado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na produção do medicamento. Na segunda, 312,5 mil doses do imunizante foram entregues a Minas, além de 800 unidades da Janssen e mais de 576 mil da Pfizer.

Confira cidades da Grande BH que já vacinam adolescentes:

Com comorbidade
Belo Horizonte 
Caeté 
Contagem 
Ibirité
Igarapé
Mário Campos
Matozinhos
Pedro Leopoldo
Ribeirão das Neves
Rio Acima
São José da Lapa
Sarzedo

Sem comorbidades
Betim
Brumadinho
Esmeraldas
Nova Lima
Raposos
Rio Manso
Sabará
São Joaquim de Bicas
Vespasiano
* Taquaraçu de Minas informou que vai começar essa semana, mas sem dar detalhes

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