A variante Delta é a que mais cresce em Minas Gerais e, hoje, representa 60% dos casos positivos da Covid-19 em Belo Horizonte, revela um estudo da UFMG. Em todo o Estado, o índice chega a 50% das infecções.

De acordo com o Painel de Monitoramento de Casos da Secretaria de Estado de Saúde (SES), 394 amostras da mutação indiana foram identificadas em 104 municípios do território mineiro até a última terça-feira (14).

Toda semana, 200 amostras positivas para a doença, provenientes de 10 Unidades Regionais de Saúde (URSs), são enviadas para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que faz a primeira triagem do material. 

Elas seguem para o laboratório do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da universidade e para o Núcleo de Ações e Pesquisa em Apoio Diagnóstico (Nupad) da Faculdade de Medicina, onde são analisadas.

A evolução da variação do coronavírus, que tem maior poder de propagação e tendência a gerar a forma grave em não vacinados, foi constatada pelo Observatório de Vigilância Genômica de Minas Gerais (OViGen). Através de um boletim, o Programa de Pós-graduação em Genética do ICB atualiza os dados sobre a variação do vírus.

Segundo o professor Renato Santana, do Laboratório de Biologia Integrativa do ICB, o cenário mudou rapidamente e se tornou mais preocupante, com a Delta tomando o lugar da Gama e se tornando a variante predominante. 

“Tivemos a ideia de realizar um monitoramento mais atualizado, que acompanhasse a evolução e o deslocamento da Covid-19 pelo Estado, e criamos o comunicado semanal em parceria com a Secretaria Estadual de Saúde, com a Prefeitura de Belo Horizonte e com a Fundação Ezequiel Dias”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, as amostras foram testadas por meio de uma metodologia de genotipagem, que possibilita identificar as variantes em quatro horas. 

“Quando aparecem novas variantes, fazemos o sequenciamento genético completo do material. Nosso objetivo é monitorar as variantes atuais e identificar as novas”, concluiu.

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