Estudar em qualquer horário e com o acompanhamento de professores, reduzindo gastos com alimentação e deslocamentos. Essas são só algumas das vantagens da oferta do Ensino a Distância (EaD) em cursos presenciais das faculdades e universidades. A possibilidade - regulamentada pelo Ministério da Educação em 2019, permite até 40% da grade por meio do EaD - vem crescendo no Brasil e a previsão é expandir-se ainda mais..

A expectativa é da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), entidade que representa as faculdades privadas de todo o país. Um levantamento feito pela ABMES mostrou que 55% dos estudantes preferem o retorno com o aprendizado dividido entre o presencial e o remoto. A pesquisa foi feita entre julho e agosto, por meio de questionário Survey on-line (veja aqui).

pesquisa

Clique para ampliar

"Um dos maiores legados da pandemia é o uso da tecnologia na educação como mediador do aprendizado e do ensino. Nossa pesquisa mostrou que 52% dos estudantes preferem que o retorno priorize as aulas práticas, mantendo os conteúdos teóricos de maneira virtual. O ensino híbrido é o presente, não mais o futuro", afirmou Sólon Caldas, diretor executivo da ABMES.

De acordo com ele, o crescimento da inclusão do EaD em parcela da grade dos cursos presenciais ocorre porque a medida permite flexibilidade de horários e de estudo, já que as pessoas precisam se capacitar, ao mesmo tempo em que fazem outras tarefas. “O pós-pandemia vai ser outra realidade. Após ficarem dois anos em aulas virtuais, quando terminar (a pandemia), não tem jeito de retroceder. O aluno não vai querer somente ficar numa sala de aula, sendo que ele pode ter algumas disciplinas de EaD no conforto da casa”, disse Sólon. 

Na prática

Em Belo Horizonte, as faculdades Kennedy e Promove implantaram a Educação a Distância para todos os cursos presenciais das instituições, como Nutrição, Estética, Direito e Engenharias (veja todos aqui e aqui), neste segundo semestre. O EaD é limitado a 25% da grade de cada graduação, permitindo que o aluno estude no formato remoto uma vez por semana, geralmente, às sextas-feiras. Todo o trabalho é possível a partir de plataformas educacionais próprias, com conteúdo programático aprovado pelo MEC e acompanhado pelos professores.

“A maioria dos cursos está com a disciplina EaD alocada às sextas, que é um dia que o aluno está mais cansado para ir à faculdade, a gente tem mais trânsito, mais dificuldade de chegar. Há a vantagem de estudar no momento em que ele puder. Se ele chega muito cansado em casa, pode se programar para realizar atividades no sábado, ou mesmo se adiantando, estudando na sexta, no horário do almoço”, explicou Natália Teixeira, coordenadora do Núcleo de Inovação e Aprendizagem (Nina) e do Núcleo de Educação a Distância (Nead) das faculdades Kennedy e Promove.

Segundo ela, a implantação do EaD em parte da grade é um avanço. “Dá autonomia de horários e de aprendizado. Isso significa que ele se coloca mais como sujeito, como protagonista do aprendizado. A gente entende que o aluno tem uma capacidade grande e que ela precisa ser estimulada. A Educação a Distância consegue fazer esse processo”, completou Natália.

A coordenadora explicou que as faculdades Kennedy e Promove utilizam ambientes virtuais de aprendizagem consagrados no mercado EaD. Dentre eles, a plataforma Moodle, muito utilizada no Brasil e com equipe de suporte e criação extensa e de confiança; e a Sagah, empresa que elabora conteúdos para universitários. “Outro diferencial é que os tutores que fazem o acompanhamento dos alunos são professores das instituições. Eles conhecem o sistema, conhecem o aluno”, disse.

Portaria do MEC

A possibilidade de ofertar parte da carga horária na modalidade EaD em cursos de graduação presenciais foi regulamentada pelo MEC em portaria de 6 de dezembro de 2019. Conforme o documento (veja aqui), as instituições podem introduzir a modalidade na organização pedagógica e curricular. A única exceção é para as graduações em Medicina.

Leia mais:
Dia do Estagiário: confira oportunidades disponíveis em Minas Gerais
Estudantes têm até hoje para se inscrever na lista de espera do ProUni