Eles são jovens gêmeos, praticantes de musculação e jiu-jitsu, com alimentação saudável e... evolução para caso grave de Covid-19. "Acreditávamos que, mesmo se pegássemos o vírus, não teríamos nenhuma complicação”, contou Bruno Leonardo da Silva Santos, de 31 anos, de Belo Horizonte. Ele e o irmão, Breno Henrique da Silva Santos, se infectaram ao mesmo tempo, foram intubados, mas sobreviveram.

Nesta quinta (12), ambos tomaram a vacina contra a enfermidade causada pelo coronavírus.

Progressão da doença

O caso teve início no trabalho. Bruno e Breno são sócios de uma corretora de imóveis. Eles acreditam, aliás, que a transmissão pode ter ocorrido na empresa. “Sempre com máscara, álcool em gel, boa higienização das mãos. Nunca desprezei a doença, mas não imaginava que poderia se agravar de maneira tão violenta”, relatou Breno . “Vez ou outra, descuidamos'', completou o irmão.

A dupla apresentou os primeiros sintomas em 26 de junho: dor de cabeça e nas articulações, garganta arranhando, nariz escorrendo. Por precaução, iniciaram quarentena. Bruno, que mora com os pais no bairro Paquetá, na região da Pampulha, saiu de casa e foi morar com Breno, no mesmo bairro. Em 1º de julho, um exame confirmou a doença. No oitavo dia da infecção, veio a febre e o cansaço. Eles foram a uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), foram medicados e liberados.

No entanto, a situação não melhorou. “No 12º dia, todos os sintomas se agravaram. Estávamos com dificuldade para respirar e saturação muito baixa. Acionamos o Samu, que levou meu irmão, que estava mais grave, para uma UPA. Eu fui em seguida”, contou Bruno. No local, mesmo com oxigênio, ambos reclamaram de muita dificuldade na respiração. Eles foram transferidos para o Eduardo de Menezes, hospital-referência de Covid da Fhemig em BH, em 8 de julho.

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Gêmeos receberam a vacina contra a Covid nesta quinta-feira (12) em BH

O encontro

Os irmãos já deram entrada diretamente em unidades de CTI e foram intubados. Breno, inclusive, foi intubado já na ambulância que o levava para o hospital. Após cinco dias, ambos foram extubados, mas levados para áreas diferentes de tratamento, sem contato. A situação de Breno ainda continuava mais grave. No dia 16 do mês passado, já na enfermaria, Bruno procurou por Breno, mas soube que ele continuava no CTI. 

Em outra vaga, Breno tinha a mesma preocupação. “Ao acordar no quinto dia (da intubação), eu não fazia ideia de onde estava. Não conseguia falar ou me comunicar com ninguém, sem ideia alguma do tempo em que eu estava ali desacordado, e tentava ter notícias do meu irmão”, contou. Foi aí que ele recebeu a informação de que o gêmeo estava bem. “Isso me deu forças para continuar”, relatou.

No dia 18, Breno apresentou melhora e foi transferido para um quarto clínico - o mesmo do irmão. “Ficamos quatro dias juntos, compartilhando sorrisos e ajudando um ao outro”, disse Breno. No dia 22, Bruno ganhou alta. Breno só saiu oito dias depois. “Foi necessário eu permanecer na enfermaria por mais uma semana até conseguir me livrar do auxílio do oxigênio e estabilizar minha saturação”, disse.

“Foi uma experiência que me fez enxergar muita coisa que, no fundo eu sabia, mas não dava importância. Coisas simples têm muito mais valor do que imaginamos, família e amigos são o que há de mais valioso em nossas vidas e sem Deus não somos nada”, disse Bruno.

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Bruno e Breno agradeceram à Deus e aos profissionais do Eduardo de Menezes

Eduardo de Menezes

Atendidos na rede pública estadual, os irmãos agradeceram aos profissionais, que chamaram de “anjos”. “Os médicos foram muito atenciosos e deram todo o suporte necessário. Em especial à fisioterapeuta respiratória Bruna Ribas, foi um anjo que além de ser a primeira pessoa que vi ao abrir os olhos, foi quem conseguiu nos dar ainda mais força pra poder vencer essa batalha que não foi nada fácil”, declarou Bruno. 

Aguinaldo Bicalho Ervilha Júnior, gerente do CTI do Eduardo de Menezes, explicou que os irmãos foram tratados pela equipe multidisciplinar, que conta, entre outros profissionais, com médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e nutricionistas. “Felizmente, os dois evoluíram com melhora durante a internação. Conseguimos extubá-los após cinco dias, sendo que o Bruno teve alta do CTI e, algum tempo depois, da enfermaria, dias antes do Breno”, relatou o médico.

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