Com queda de vazão preocupante, o Rio das Velhas entrou em estado de alerta em Honório Bicalho, distrito de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Lá, a Copasa capta água para abastecimento da Grande BH. A situação foi declarada pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio das Velhas (CBH Rio das Velhas). 

Segundo o comitê, a vazão média do manancial nas últimas duas semanas tem sido abaixo de 10,4 m3/s, volume mínimo considerado seguro. Após a captação da Copasa para abastecimento, a vazão residual ficou com média semanal de 3,61 m3/s. Em 31 de julho, a vazão chegou a 9,5 m3/s.

Por isso, o CBH Rio das Velhas considerou o estado de alerta, último estágio antes da necessidade obrigatória de restrição de uso da água. De acordo com a Deliberação Normativa 49 de março de 2015, do Conselho Estadual dos Recursos Hídricos (CERH), sempre que a vazão de um curso d’água monitorado no Estado ficar abaixo do valor médio mínimo dos últimos 10 anos – índice chamado de Q7,10 –, durante um período de sete dias seguidos, o manancial entra em estado de alerta.

Caso estes valores reduzam ainda mais, passando de 70% da Q7,10 por mais sete dias consecutivos, o rio entra em estado de restrição de uso. Neste caso, será necessário diminuir, de forma obrigatória, o uso da água, de acordo com os tipos de consumo.

Para evitar que a situação piore e chegue ao racionamento, o Comitê informou que tem adotado medidas em parceria com a Copasa, Cemig, Vale e AngloGold, por meio do Grupo de Controle de Vazão do Alto Rio das Velhas (Convazão), visando a regularização das vazões, objetivando o direito de acesso de todos aos recursos hídricos, com prioridade para o abastecimento público e a manutenção dos ecossistemas.

“Temos acompanhado de forma sistemática a situação das vazões do Rio das Velhas e o cenário atual vem se mostrando pior em relação aos últimos anos. O problema não é apenas falta de chuva, mas também de perda de resiliência do rio”, afirmou o secretário do CBH Rio das Velhas, Marcus Vinícius Polignano.

Esgoto

Outro problema associado à escassez hídrica vem da necessidade de aprimoramento e ampliação do sistema de tratamento de esgoto da bacia, conforme informou a presidente do comitê, Poliana Valgas.

“Com baixa vazão, o Rio das Velhas perde sua capacidade de suporte em relação à diluição da carga poluidora lançada, gerando outro grande impacto por meio da eutrofização e proliferação de cianobactérias no seu médio e baixo curso, ocasionando a infestação de macrófitas aquáticas (plantas aquática que podem ser vistas a olho nu) neste trecho, até o encontro com rio São Francisco”, destacou.

Ainda segundo Poliana Valgas, a escassez hídrica tem grandes impactos na segurança hídrica e na vida aquática ao longo da bacia, “por isso, buscamos mobilizar e conscientizar a sociedade para um uso mais consciente e eficiente da água neste momento e solicitamos aos usuários a diminuição da retirada de água para os usos não essenciais”, concluiu.

A reportagem entrou em contato com a Copasa e com governo de Minas, mas aguarda retornos. 

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