A população quilombola de 56 municípios do Norte de Minas vai receber 16,3 mil cestas básicas, uma medida de socorro para essas comunidades, afetadas pela pandemia. A doação foi viabilizada por uma parceria entre o governo federal e a Fundação Cultural Palmares. Para formalizar a iniciativa, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, esteve ontem em Montes Claros, onde também comentou sobre a importância de ser dado um basta na violência doméstica. 

A solenidade aconteceu na Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), parceira do evento e responsável pela logística na distribuição das cestas. “Estamos chegando a dois anos da pandemia, que deixou nosso povo muito sacrificado. Os pequenos empresários da região estão fechados e vem outro agravante, que é a seca. A fome não espera. Queremos pedir para organizarem outras cestas para entrega geral na nossa região. Mas já foi um grande avanço, e nós, homens públicos, temos que fazer o que pudermos para ajudar essas pessoas”, destacou Nílson Bispo, presidente da Amams.

A ministra disse que não descarta o pedido dos municípios para atendimento de outras camadas da população. “Não é misericórdia. Neste momento, estamos trazendo ajuda a algumas pessoas que estão precisando de comida. Se os quilombos já tinham tanta dificuldade de acesso ao trabalho, à educação, neste período de pandemia a dificuldade cresceu mais ainda. Que a gente esqueça as cestas básicas e o objetivo deste encontro seja: não vamos deixar ninguém para trás”, declarou Damares.

raquel muniz ministra damares

Ministra Damares Alves recebeu de Raquel Muniz uma cesta com produtos da região

Segundo ela, já está sendo avaliado com o Ministério da Cidadania se há previsão de envio de mais cestas básicas. “Hoje é a entrega de 16 mil cestas, sempre abrindo um leque para trazer mais, caso essa pandemia não acabe logo, caso a gente precise continuar o reforço com a segurança alimentar na região”, ressaltou.

Presidente da Comunidade Quilombola Vereda Viana, em São João da Ponte, Lindomar de Lima recebeu a cesta básica representando toda a comunidade. “Foi uma surpresa. Estamos felizes, chegou em boa hora e torcemos para que se torne frequente”, destacou.

José Aparecido Mendes, prefeito de Janaúba, que recebeu 337 cestas, ressaltou que a doação vai amenizar a situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar dessas famílias. As cestas serão entregues nas próximas semanas pela Amams.

Violência doméstica

A ministra Damares Alves demonstrou preocupação com a questão da violência contra a mulher e crianças, agravada na pandemia. Ela foi informada sobre o caso da menina Maria Valentina, de apenas 1 ano, encontrada morta em casa, vítima de várias agressões e abuso sexual. Os suspeitos são os pais da menina. 

“Nós estamos preocupados com o retorno das aulas. Que criança vamos receber em sala de aula? Sabemos que a pandemia fez com que aumentasse a violência doméstica. Mais de 80% acontece, infelizmente, dentro de casa. Na pandemia deixamos o agressor e a vítima trancados no isolamento social. A violência sexual é uma das que mais nos preocupa porque ela é silenciosa”, afirmou.

Enfrentamento

“Queremos entender e saber como chegou a denúncia e a conclusão dessa situação (da Maria Valentina), que pode nos ajudar a melhorar a nossa rede de proteção à criança. Pedimos à sociedade que, se souber de uma criança que está sofrendo um ciclo de violência, denuncie. A criança precisa que nós adultos, falemos por ela”.

A ministra afirmou que entregará, nos próximos dias, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio e, para fazer o enfrentamento em conjunto, existe a possibilidade de trazer para a região alguns programas do Ministério. “A violência contra a mulher no Brasil nos envergonha e a gente não pode admitir isso como cultura”, disse Damares.

Para a ex-deputada Raquel Muniz, que durante o mandato trabalhou pela aprovação da Lei do Feminicídio, ter um Ministério das Mulheres mostra que o Brasil está preocupado em mudar a realidade da violência contra o gênero.

“A presença da ministra Damares na região nos permitiu apresentar a ela as nossas demandas e, principalmente, a inclusão da região em projetos que garantam o empoderamento feminino, que atuem para diminuir os índices de violência contra as mulheres, mas também contra crianças e adolescentes. Ela é uma mulher sensível e tenho certeza que vai levar o Norte de Minas e sua gente com ela e nos ajudar a promover essas mudanças tão fundamentais em nossa sociedade”, disse Raquel, que se encontrou com a ministra na Amams.