Mais de 49,5 mil pessoas perderam a vida por complicações provocadas pelo coronavírus em Minas. O total de mortes supera a população de 87% das cidades brasileiras. O número poderia ser ainda pior se não fosse a vacinação contra a Covid. Apesar do recuo no número de óbitos nas últimas semanas, devido à imunização, os alertas permanecem, principalmente com as férias e a ascensão da variante Delta. 

A comparação dos óbitos (balanço epidemiológico da última sexta-feira) com a população foi feita com base nas estimativas do IBGE. No Brasil, em 4.889 dos 5.570 municípios, o número de habitantes é inferior ao de mortes do território mineiro. No Estado, a proporção é ainda maior (91,6%). Das 853 cidades, 781 têm menos moradores do que vítimas do vírus.

Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, o início da imunização contribuiu para que a tragédia não fosse maior. De acordo com o especialista, desde janeiro, 60 mil óbitos foram evitados no país graças às vacinas. 

Mais de 9,2 milhões de mineiros foram vacinados contra a Covid, ou 56% da população

“À medida em que vai vacinando, reduz-se a hospitalização e as mortes. Se tivesse começado antes, teríamos salvado muito mais vidas. Demoramos a iniciar o programa para contratar as vacinas”, avaliou o médico. 

A previsão do Ministério da Saúde, assim como a do governo de Minas, é que toda a população adulta seja protegida ao menos com a primeira dose até setembro. Para Kfouri, a meta é viável tendo em vista o ritmo atual de aplicação. Segundo o Estado, mais de 230 mil pessoas estão sendo vacinadas diariamente. 

Por outro lado, o período de férias e a ascensão de casos da variante Delta no Brasil preocupam o Executivo estadual. Por isso, o uso de máscara e o distanciamento social devem ser mantidos. 

“Há sempre uma maior aglomeração. Temos que manter as medidas. A variante delta é mais infectante, assim como a P1 (Manaus)”, afirmou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti, em entrevista na semana passada.

O gestor ressalta, porém, que a mutação indiana do vírus ainda não está em circulação no território mineiro, apesar do caso de um morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, ter sido confirmado em maio. “Em todos os estudos genéticos realizados com as amostras de todas as regiões do Estado, ainda não foi reconhecida”.

De acordo com o titular da pasta, três das quatro vacinas administradas no país se mostraram eficazes contra a cepa indiana em estudos preliminares: AstraZeneca, Janssen e Pfizer. A CoronaVac ainda está em fase de avaliação.