O socorro a crianças com doenças respiratórias disparou nos últimos meses em Belo Horizonte. Os atendimentos no Hospital Infantil João Paulo II, unidade referência na região Leste, aumentaram 163%. O clima mais seco, típico do inverno, e a diminuição do isolamento social são os principais motivos para o crescimento. 

De abril a junho, 3.311 pacientes com bronquiolite, pneumonia, asma e outras enfermidades respiratórias passaram pela unidade. No mesmo período do ano passado – quando muitas famílias estavam em quarentena – foram 1.258.
 
As internações também deram um salto, passando de 768 para 1.353 no CTI do complexo hospitalar. Caso da menina Cecília, de 8 anos, que passou três dias no local no fim de junho. Conforme a mãe, Nathália Cássia de Alcântara, o primeiro passo foi testá-la para verificar se estava com Covid-19. Com resultado negativo, a equipe médica iniciou o tratamento contra uma crise de asma.

De acordo com o pneumologista pediatra do hospital, Alberto Vergara, a maioria dos quadros não é de infecção pelo coronavírus. “Não só a Covid, mas outros vírus também circularam. Se compararmos com 2019, os números estão dentro do padrão”.

Para o especialista, o afrouxamento das medidas restritivas e o retorno das atividades nas escolas são os principais fatores que contribuem para a elevação das consultas. 

O médico alerta que, com a baixa umidade, os cuidados com a hidratação das crianças devem ser redobrados. Além disso, ele chama a atenção para a alimentação e uma boa noite de sono (oito horas, em média). “No caso dos bebês, o aleitamento materno deve ser estimulado até os seis meses”, acrescentou.

O pneumologista destaca, ainda, o cuidado com a vacinação, principalmente contra a gripe. “Este ano a cobertura vacinal para influenza está baixa. As pessoas acharam que não era necessário, mas é. Gripe também mata”, alertou.

Segundo Alberto Vergara, caso as crianças apresentem tosse, coriza ou outros sintomas respiratórios, é aconselhado que os pais procurem atendimento médico. “Quando está mais prostrada, eventualmente com febre alta ou que não abaixa, não se alimenta direito, é sinal de alerta. Deve-se levar para consultar”.

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