O médico Fernando Henrique de Assis, de 29 anos, é a primeira pessoa a se reinfectar pelo novo coronavírus em Minas. O profissional não tem comorbidades, está bem após o susto e pretende tomar a vacina contra a Covid-19.

De acordo com ele, que atua em hospitais de BH, além de Caeté e Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, cidade onde nasceu, a primeira contaminação ocorreu em maio de 2020. Na época, ele sentiu os primeiros sintomas da doença, realizou um teste do tipo PCR, considerado o mais seguro para definição do diagnóstico, que confirmou a infecção.

"Eu tive sintomas leves durante a minha primeira infecção. Tive febre, diarreia, dor no corpo, dor de cabeça, tosse e dor de garganta. Fiz o isolamento de 14 dias e voltei a trabalhar normalmente em seguida", contou.

Conforme Fernando, após esse período, ele realizou vários testes imunológicos (IGGs), sendo que em dezembro do ano passado, o IGG dele reduziu consideravelmente e apresentou níveis negativos. No entanto, em janeiro de 2021, 230 dias depois da primeira contaminação, o médico voltou a se infectar com a enfermidade.

Novamente, segundo ele, vieram dor no corpo, dor de cabeça, tosse e dor de garganta. "Resolvi repetir o mesmo exame PCR para Covid-19, também com resultado positivo", contou. Ele teve amostras colhidas em um hospital e o material foi encaminhado à Fundação Ezequiel Dias (Funed), onde foi avaliado. Lá, foi feito o sequenciamento do caso e, nessa terça-feira (2), a reinfecção foi confirmada. 

"Eu estou bem, já estou trabalhando normalmente e continuo mantendo todos os cuidados, de máscara, álcool em gel e lavagem das mãos", disse. Fernando ainda não tomou a vacina contra a Covid-19, mas contou que pretende receber a dose em breve no município de Sabará, onde ele mora.

Confirmação teve apoio da Ufop

O primeiro caso de reinfecção por Sars-CoV-2 em Minas Gerais foi confirmado laboratorialmente com o apoio de pesquisadores do Laboratório de Imunopatologia da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), na região Central do Estado. 

Em comunicado, a instituição relembrou o quadro clínico do paciente nas duas ocasiões e explicou como foi realizado o estudo de comprovação da reinfecção.

"As amostras congeladas de swab nasofaríngeo do paciente foram recuperadas pelos pesquisadores da Ufop e encaminhadas para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), onde, em um trabalho em parceria com o Ministério da Saúde, o Dr. Luiz Alcântara (Fiocruz/UFMG) fez o sequenciamento completo do genoma viral", informou, em nota.

De acordo com a Ufop, o resultado foi a confirmação laboratorial da reinfecção, sendo a primeira contaminação pela linhagem viral B.1.1.28, presente no Brasil desde março do ano passado; e a segunda pela linhagem B.1.2, cuja circulação começou a se intensificar a partir de outubro de 2020.

Conforme os pesquisadores, até o dia 1º de março, a linhagem B.1.2 não havia sido detectada no Brasil, de acordo com os principais bancos de dados globais de linhagens SARS-CoV-2.1,2.

Apesar disso, eles reforçaram que não é possível afirmar que a "simples exposição a uma nova linhagem viral tenha sido o único fator responsável pela reinfecção".

"O fato de os níveis de anticorpos do paciente terem negativado, assim como demais fatores ainda não bem elucidados, devem também ter contribuído para o quadro", informou a instituição, em nota.

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