As organizadoras do Circuito Urbano de Arte (Cura), festival artístico que realiza pinturas em prédios de Belo Horizonte, comemoraram, por meio das redes sociais, a notícia de que o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) deu parecer favorável para o arquivamento do inquérito da investigação que envolve as organizadoras do Cura e os artistas que colaboraram com a obra “Deus é mãe”, que estampa a fachada do edifício Itamaraty, no Centro da capital mineira.

Na publicação, elas informaram que ainda aguardam “outras decisões por parte da Justiça”, mas que este é o primeiro passo para “que esta perseguição ilegal e racista em torno do maior mural em empena do Brasil seja encerrada”, escreveram.

O grupo acrescentou, ainda, que este não é o único motivo para comemoração. “Os artistas Robinho Santana, Poter, Lmb, Bani, Tek e Zoto foram convidados para participar do festival ‘Verão Sem Censura’, que acontece em São Paulo em março, onde irão pintar juntos um novo painel a favor da liberdade de expressão e artística. Sabe de alguma empena que possa receber esse trampo? Conta pra gente!”, concluiu.

Ao fim da publicação, as organizadoras agradeceram às pessoas que apoiaram a Cura com denúncias, considerando que “apoiar a arte em tempos tão sombrios é defender a liberdade e lutar contra o autoritarismo”.

O Hoje em Dia procurou o Ministério Público de Minas Gerais neste sábado, mas ainda não obteve retorno.

Entenda

A polêmica envolve a obra "Deus é mãe", criada pelo artista paulista Robinho Santana durante a quinta edição do festival, realizada no ano passado. A arte é considerada como o maior mural em empena do Brasil, com quase dois mil metros quadrados.

Em janeiro deste ano, as organizadoras do Cura foram incluídas em um inquérito da Polícia Civil que investiga ocorrência de crime contra o meio ambiente. O motivo registrado seria a presença de figuras que reproduzem pichações, desenhadas em volta da imagem.

No início de fevereiro, o delegado responsável pelo inquérito, Eduardo Vieira, disse que as pichações que estavam no prédio eram o alvo da investigação inicial. Porém, mesmo cobertas pela pintura, elas foram reproduzidas na moldura da obra.

“Nossos levantamentos foram motivados anteriormente, por meio de mais de uma denúncia de condôminos que indicaram diversos atos de vandalismo, resultando em pichações que acabaram sendo cobertas quando da instalação do painel no edifício”, explicou Vieira.

Ainda segundo o delegado, uma série de crimes contra o patrimônio e o meio ambiente é investigada, uma vez que os denunciantes indicaram invasões, arrombamentos e depredações diversas quando o prédio passou a ser pichado. “Esses suspeitos teriam, inclusive, valendo-se de técnicas de rapel para consumar os supostos atos de vandalismo”, acrescentou.

Na ocasião, o artista e a organização afirmaram que o caso era motivado por racismo e preconceito. "Não aceitaremos a tentativa de criminalizar os artistas. Não aceitaremos a tentativa de criminalizar o festival. Não aceitaremos os ataques racistas à obra 'Deus é mãe'".

Além do artista paulista, Poter, Lmb, Bani, Tek e Zoto, de BH, colaboraram na produção da obra, todos a convite do Cura e de Robinho.

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