Belo Horizonte define nesta semana se as aulas presenciais irão voltar, após quase um ano de suspensão das atividades dentro das salas por conta da Covid-19. Membros do Comitê de Enfrentamento à doença se reúnem na quarta-feira para analisar os indicadores da pandemia na cidade. 

Caso seja dado o aval, o retorno das atividades começará pela educação infantil – crianças de até 5 anos. Porém, o avanço da doença preocupa. O último boletim epidemiológico da PBH mostrou a taxa de ocupação de leitos de UTI, exclusivos para tratamento do coronavírus, com 70,1%.
 
O grupo de infectologistas teve um encontro semana passada. No entanto, por medida de segurança e para garantir a continuidade da estabilidade dos indicadores epidemiológicos após o Carnaval, a PBH adiou a decisão sobre os avanços na flexibilização.

“Temos sim que pensar na volta às aulas, mas temos de estar atentos à característica da epidemia, que está acelerando no Brasil inteiro. Voltar com atividades presenciais agora não é prudente. O momento e a estrutura adequada, ainda temos que ver”, avaliou o infectologista Carlos Starling, membro do comitê.

Na última semana, foi divulgado um protocolo para a retomada no município. Entre os pontos, o principal é o uso da sala de aula, que deverá ter até 50% da capacidade de alunos, com distanciamento de, no mínimo, 1,5m entre eles. A distância entre o professor e os estudantes foi delimitada em 2 metros a partir da parede até a primeira carteira. 

Para Estevão Urbano, também médico do comitê, a volta às aulas é uma questão complexa e precisa ser amplamente debatida. “As opiniões são muito diferentes, sabemos menos do que deveríamos. Acho que é muito importante saber as condições epidemiológicas de cada local, a taxa de transmissão em cada cidade”, avaliou.

Atualmente, a taxa de novos casos da doença é de 321,6 a cada 100 mil habitantes. No ano passado, o grupo de médicos dizia que o “número mágico” para o retorno seguro era 20. Por conta da discrepância entre os valores, o comitê já admitiu reconsiderar o índice.

Estado
Na semana passada, o governo de Minas mostrou a metodologia para a rede estadual, que começará as aulas, ainda de maneira remota, no dia 8. Segundo as secretarias de Estado de Saúde e de Educação, as atividades seguirão um modelo híbrido, mas dependem da autorização da Justiça, das prefeituras e dos pais.

A médica Lilian Diniz, membro da Sociedade Mineira de Pediatria, acredita que o Estado já está preparado para reabrir as escolas. A especialista, entretanto, admite um possível aumento de casos de Covid em crianças e adultos. Porém, afirma que, se necessário, tudo poderá ser fechado novamente. 

“Pelo o que temos visto, isso não é um risco que nos faça manter as escolas fechadas. Em relação às crianças, não me preocupa, porque os hospitais não estão cheios e têm condições de recebê-las, já que a grande maioria dos casos não são graves”, afirmou.

Sindicatos
Sindicatos que representam professores e profissionais das redes pública e privada de Minas questionaram a decisão do Estado sobre o retorno das aulas presenciais. A categoria afirmou não haver condições para a retomada e apontou que o protocolo apresentado não garante a segurança de alunos e funcionários.

Nesta semana, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE) iniciará uma fiscalização nas escolas estaduais para apurar as condições reais das unidades de ensino. O Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro-MG) afirmou que apoiará a iniciativa e que também supervisionará a rede particular.

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