O governador de Minas, Romeu Zema (Novo), afirmou que o acordo de R$ 37,6 bilhões firmado nesta quinta-feira (4) com a Vale não é um “ponto final” na reparação dos danos causados pela tragédia de Brumadinho, ocorrida em 25 de janeiro de 2019. O pronunciamento do gestor aconteceu após a assinatura do documento, na sede do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), em Belo Horizonte.

“Se amanhã for detectado um novo dano ambiental, a empresa terá que arcar. Se nascer uma criança com algum problema, que for efeito dessa tragédia, a empresa vai ter que arcar. Esse valor é um teto, que poderá ir além, mas não a menos”, garantiu.

Zema destacou que o acordo é inédito e um dos maiores do mundo, como diz o documento divulgado pelo governo. De acordo com o governador, as obras que serão iniciadas vão gerar 360 mil empregos nos próximos meses e anos.

“Não podemos mudar o passado, que muitas vezes foi triste e trágico, mas podemos fazer um futuro melhor, e é exatamente isso que nós estamos concretizando neste momento”, disse.

Segundo o vice-presidente executivo da Vale, Luiz Eduardo Osório, a mineradora estava determinada a reparar integralmente e compensar os danos causados desde o primeiro dia da tragédia. 

“Temos a convicção que o acordo firmado hoje é um passo importante nessa direção. Muito mais que um documento, será um catalisador para o desenvolvimento sustentável de Brumadinho e região e todas as pessoas que vivem no estado Minas Gerais”, afirmou.

Desembargador comemora acordo

O desembargador-presidente do TJMG, Gilson Soares Lemes, comemorou o acerto entre as partes após quase quatro meses de negociação. A assinatura do documento acontece pouco mais de dois anos após o desastre ambiental.

“Fizemos um acordo histórico, talvez o maior em desembolso da América Latina. Essa é a importância do poder judiciário: buscar a solução de conflitos. Estamos aqui hoje sentindo pela tragédia de Brumadinho, mas com o sentimento do dever cumprido, de dar uma resposta em tempo razoável às vítimas, aos atingidos e à sociedade”, disse.

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