A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) enviou ofícios à prefeitura da capital e ao Governo de Minas Gerais pedindo a reativação dos leitos de Unidade de Terapia Iintensiva (UTI) e de enfermaria para pacientes com Covid-19. 

“Ficou claro que a medida de fechamento do comércio não gerou o aumento do isolamento social como era pretendido. Não sabemos como será o cenário daqui para frente. Por isso é essencial que a rede de serviço público esteja preparada e com capacidade máxima disponível pelo tempo que se fizer necessário”, afirma o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva.

De acordo com a CDL, para o prefeito Alexandre Kalil, o pedido se refere aos leitos que vinham sendo fechados desde setembro do ano passado. "Belo Horizonte já chegou a ter na Rede SUS 424 leitos de UTI e 1115 de enfermaria. No Boletim Epidemiológico da prefeitura divulgado na última sexta-feira, dia 29, a cidade conta atualmente na Rede SUS com 303 leitos de UTI (redução de 28%) e 859 de enfermaria (redução de 23%)", explicou.
 
Em relação ao Estado, a solicitação é referente à "manutenção do potencial máximo de atendimento de casos de Covid-19 pelo tempo que se fizer necessário".
 
Souza e Silva também pediu atenção especial ao transporte público com a retomada das atividades não essenciais nesta segunda-feira (1º). “Caso a situação se mantenha como temos observado, com a diferença entre oferta e demanda cada vez menor, não há estratégia de saúde pública capaz de sustentar o estancamento da disseminação do vírus”. 

Em contrapartida, a entidade disse que vem reforçando ações de conscientização de prevenção à Covid-19 junto aos lojistas, colaboradores e população.

Procurada, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que está apurando as solicitações da CDL, mas a Secretaria Municipal de Saúde informou que entre os dias 8 e 25 de janeiro a rede SUS-BH abriu 56 novos leitos de UTI Covid, totalizando 303 unidades e que a PBH mantém o monitoramento constante dos dados epidemiológicos e assistenciais na cidade.

Ainda conforme a prefeitura, outros leitos de Covid que foram para a retaguarda estão ocupados com pacientes graves com outras doenças, o que impede um novo remanejamento. Embora o SUS-BH conte com recursos financeiros disponíveis, não é possível a abertura de leitos novos pela inexistência de recursos humanos para contratação no mercado de trabalho.

Sobre o transporte público a PBH disse que em relação ao período anterior à pandemia, a demanda de passageiros caiu cerca de 52%, mas a oferta de viagens foi reduzida em 39%. Além disso, o sistema MOVE está operando com 100% da capacidade.

"A partir de hoje, já  houve um acréscimo de mil viagens em relação à oferta praticada durante o fechamento. Com reforço, principalmente das linhas que atendem os principais corredores de tráfego, a Área Central, e o entorno das áreas comerciais e dos pólos geradores de serviço da cidade. A operação é monitorada diariamente e , se necessário, são feitos ajustes".

Flexibilização

A partir desta segunda-feira (1º), o funcionamento de lojas de rua e shoppings, bares, restaurantes, clubes, academias, museus, teatros e cinemas foi liberado. 

A taxa de ocupação dos leitos de UTI caiu para 74%, enquanto os de enfermaria atingiram o patamar mais baixo nesta pandemia, com 56%. A taxa de transmissão do vírus está menor do que 1, o que é considerado seguro.

A capital já recebeu quase 200 mil doses de vacina contra a Covid-19 e iniciou a vacinação dos trabalhadores da saúde e a partir de agora será ampliada para outros grupos.