Seis dos maiores blocos de Carnaval de Belo Horizonte divulgaram nesta segunda-feira (25) uma carta aberta à prefeitura pedido diálogo e socorro. O texto é assinado pelos grupos Chama o Síndico, Então Brilha, Havayanas Usadas, Me Beija Que Eu Sou Pagodeiro, Sagrada Profana e Samba Queixinho.

"Diante desse cenário, chama a atenção a completa omissão do poder público — e mesmo do setor privado que tem sido largamente beneficiado pelo renascimento da festa em nossa cidade", diz o texto.

Os representantes chamam a atenção para a perda financeira com a pandemia. "Com a inviabilidade de se realizar a festa neste ano somado ao encerramento do Auxílio Emergencial, a coisa se complica ainda mais. Já faz alguns anos que os trabalhadores do Carnaval contam com a renda gerada em janeiro e fevereiro. Não se trata de receita extraordinária, mas sim de dinheiro que entrava na previsibilidade orçamentária das famílias para o ano inteiro", diz o texto.

Ainda segundo a carta, "mesmo os recursos vindos através da Lei Aldir Blanc foram insuficientes, tanto porque se voltavam ao setor cultural como um todo, como porque, sobre os valores recebidos, recaíram pesados impostos restando quantias tímidas frente aos gastos necessários. Além disso, a falta de especificidade à realidade do Carnaval constitui-se outro complicador para acessar os valores".

No documento, os blocos também citam um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, onde mostram que o Carnaval de 2018 movimentou R$ 290 milhões na capital, o que representou um impacto de R$ 165 milhões no Produto Interno Bruto (PIB), e promoveu R$ 12 milhões de arrecadação em impostos indiretos líquidos para o município, gerando ainda mais de 6.500 empregos.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informa que vem realizando diversas reuniões com representantes de Blocos de Rua, mantendo sempre aberto o diálogo. Mas enfatiza que o momento é de combate à pandemia e que tanto os blocos quanto os foliões devem evitar aglomerações.

"A PBH segue focada nas ações de combate à pandemia e, por meio da Belotur, tem acompanhado e participado de discussões sobre o Carnaval 2021 junto aos principais carnavais do país, como Salvador e Rio de Janeiro. Ainda não há nenhuma definição e o diálogo permanece constante com toda a cadeia produtiva do Carnaval. A decisão de uma nova data depende das condições sanitárias acompanhadas pelo Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da Prefeitura, além de medidas que possam garantir a segurança dos foliões", diz o comunicado.

Ainda segundo a PBH, não há previsão inicialmente para que esta realidade mude. "Permanecem suspensas as autorizações para eventos em propriedades particulares e em logradouros públicos, incluindo desfiles de Escolas de Samba e dos Blocos Caricatos. Não há qualquer previsão legal para realização de festas em clubes, em casas de festas ou outros espaços e eventos que estão com os alvarás suspensos", conclui a nota.