Pais, professores e proprietários de escolas particulares realizaram neste sábado (16) uma carreta por ruas da região Centro-Sul da capital pedindo o retorno das aulas presenciais e a reabertura das instituições de ensino privadas. O movimento foi realizado em várias cidades brasileiras.

Durante um dos momentos do ato, os manifestantes pararam em frente ao edifício onde mora o prefeito Alexandre Kalil (PSD), no bairro de Lourdes. A carreata, que começou na Praça do Papa, passou ainda pelo prédio da prefeitura – no Centro de BH – e nas proximidades da residência do infectologista Carlos Starling, que integra o comitê de enfrentamento à Covid-19 da capital.

De acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep/MG), os proprietários das escolas querem que a retomada das aulas presenciais seja incluída como atividade essencial. Segundo a presidente do Sinep/MG, Zuleica Reis, a situação dos pais, profissionais e proprietários de escolas particulares é de incerteza de como será o ano letivo de 2021. 

“Os pais, principalmente da educação infantil, não fazem matrícula, pois estão aguardando o posicionamento se as aulas presenciais vão ser retomadas ou não. Já estamos há quase um ano de portas fechadas”, enfatiza Zuleica.

Com o retorno das atividades previsto para fevereiro, mas ainda sob o modo do ensino remoto, as matrículas despencaram em relação ao ano passado. Segundo o Sinep/MG, o volume caiu em 30%. Em alguns estabelecimentos, voltados ao ensino infantil, a retração foi ainda maior e chegou a até 50% em relação a 2020. 

Para Zuleica Reis, muitas destas instituições correm o sério risco de fechar as portas. “Não há motivos para impedir que as escolas particulares retornem às aulas. Temos estrutura para voltar ao funcionamento. O comitê de enfrentamento à Covid já confirmou isso. Se o retorno não acontecer, muitas escolas vão fechar de vez as portas”, destaca a presidente do Sinep-MG.

Em nota, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que as condições seguras para retorno das aulas presenciais dependem da baixa taxa de incidência do vírus (circulação) e da redução da ocupação de leitos, sobretudo de UTI. 

"Se os indicadores acima citados apresentarem margem de segurança, o retorno poderá acontecer. Porém, ainda é impossível precisar a data. Estamos esta semana com recorde da taxa de incidência da doença em Belo Horizonte, que atingiu 363,9 novos casos por 100 mil habitantes no acumulado dos últimos 14 dias. Até 15 de janeiro, o índice de transmissão por infectado (Rt) foi de 1,09 (amarelo) e as taxas de ocupação dos leitos de UTI Covid chegaram a 83,4%, no nível vermelho, e de Enfermaria Covid a 69,3%, no limite máximo do nível amarelo. Caso a população mantenha o isolamento e as práticas de higiene, poderemos ter um retorno ainda mais rápido", conclui a nota.