As escolas particulares de Minas Gerais lançaram um manifesto nesta quinta-feira (14) pedindo o retorno das aulas presenciais no Estado, a partir de fevereiro de 2021.

Segundo o Sindicato das Escolas Particulares de Minas (Sinep-MG), prefeituras e o governo devem priorizar as escolas no processo de reabertura das atividades, já que milhões de crianças e adolescentes estão sem aulas presenciais há quase um ano.

“Os impactos, incalculáveis do ponto de vista pedagógico e emocional, atingem principalmente os estudantes mais pobres, sem acesso à internet e crianças da Educação Infantil, uma das etapas mais importantes para o desenvolvimento cognitivo e psicomotor do indivíduo. Diversas entidades, como a Unesco, já se manifestaram a favor da reabertura das escolas, já que o déficit educacional pode causar aumento da evasão e abandono da escola, depressão, ansiedade, trabalho infantil, dentre outros riscos”, diz o comunicado.

O manifesto também critica a reabertura de lojas, academias, clubes e restaurantes enquanto as escolas são mantidas fechadas. E diz que as escolas estão preparadas para um retorno seguro, seguindo protocolos.

“Estudos recentes demonstram que a transmissão da Covid-19 em ambiente escolar não é tão significativa como se dizia. Na Europa, Estados Unidos e Canadá, dentre outros, as escolas são mantidas abertas mesmo em situação de lockdown parcial – somente fecham durante curtos períodos de lockdown total” . 

Nesta quinta, Minas Gerais confirmou 8.694 casos de Covid-19 e bateu novo recorde para um período de 24 horas desde o início da pandemia, em março do ano passado. De acordo com o boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), ao todo, 619.846 pessoas já testaram positivo para a doença. 

Ainda conforme o levantamento, 13.028 pessoas morreram em decorrência da doença.

Leia o manifesto na íntegra:

Juntos com o mesmo objetivo

"Há quase um ano, estudantes estão proibidos de frequentar aulas presenciais no Brasil. Em nenhum outro país escolas ficaram fechadas por tanto tempo.

No início da pandemia de Covid-19, quando quase nada se sabia a respeito da doença, supunha-se que o vírus se transmitiria mais facilmente entre crianças e jovens. Por cautela, determinou-se que as escolas deveriam ser fechadas.

Na Europa, Estados Unidos e Canadá, dentre outros, as escolas são mantidas abertas mesmo em situação de lockdown parcial (somente fecham durante curtos períodos de lockdown total).

Não é razoável que se autorize o funcionamento de lojas, shoppings, salões de beleza, hotéis, academias, clubes, praias, etc., e que escolas sejam mantidas fechadas.

Escolas não foram responsáveis pelo aumento do número de casos de Covid-19 e não se pode mais continuar a sufocá-las, enquanto crianças e adolescentes, a cada dia se fragilizam/adoecem psicologicamente

É triste constatar que a escola não está sendo entendida como essencial e prioritária. Nestes meses de pandemia, as escolas têm sido simplesmente esquecidas pelas autoridades. O setor educacional privado não foi incluído em grupos e comitês que discutem medidas de enfrentamento à Covid-19. Nenhuma de nossas contribuições foi acolhida. Está na hora de darmos um basta a esta situação e retomarmos as rédeas de nossos destinos.

As escolas privadas estão preparadas para um retorno seguro, por meio de protocolos que enfatizam: a) o uso obrigatório de máscara; b) o distanciamento mínimo de 1,5m entre alunos, pessoal docente e técnico-administrativo; c) a constante e correta higiene das mãos; d) a ventilação natural dos ambientes escolares; e) a medição de temperatura na entrada; f) o rastreamento de casos e a imposição de quarentena para aqueles que testarem positivo ou que tiverem contato íntimo com infectados; g) a constante higienização dos locais de uso comum; h) a limitação do número de pessoas circulando no estabelecimento; i) a permanente avaliação e necessárias revisões dos planos e estratégias de contingência e j) o direito dos pais e responsáveis de optarem pelo retorno às atividades presenciais ou pela continuidade do ensino remoto para seus filhos.

Por estarem preparadas, as escolas particulares devem retomar as atividades presenciais, e devem fazer isso por si próprias. Não podem mais permanecer exclusivamente na dependência de autorizações de burocratas para exercer seu direito constitucional de prestar o serviço essencial de educar presencialmente.

O quadro é desolador. Por isso, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (SinepMG), com apoio da Federação dos Estabelecimentos de Ensino de Minas Gerais - FENEN/MG, deliberou orientar às escolas privadas de sua base que, em conjunto com as famílias que desejarem, busquem retomar atividades presenciais, respeitando o direito daqueles que desejarem continuar com o ensino remoto, mediado por tecnologias de informação e comunicação.

Às famílias, transmitimos uma mensagem de tranquilidade: além de garantir o retorno com segurança, nos manteremos firmes e alinhados com as melhores práticas de combate à disseminação da Covid-19.

Aos professores e auxiliares, asseguramos que estaremos na linha de frente para exigir prioridade na vacinação dos trabalhadores em educação.

Portanto, o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (SinepMG) recomenda que os estabelecimentos de ensino se preparem para retomar atividades presenciais a partir de fevereiro, mediante oferta de serviços educacionais de forma híbrida, observando protocolos de biossegurança e impondo-se como atividade essencial e prioritária, como é de sua própria natureza".

Zuleica Reis Ávila
Presidente do SinepMG