A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL) se manifestou de forma contrária a qualquer possibilidade de novo fechamento do comércio na cidade. O comunicado foi feito após o anúncio de uma reunião que será realizada nesta quarta-feira (30), entre o prefeito Alexandre Kalil e os integrantes do Comitê de Enfrentamento à Epidemia da Covid-19, que pode redefinir o funcionamento do setor na cidade em janeiro de 2021.

O órgão defende que não há nenhuma comprovação científica  de que a reabertura do comércio, ainda que gradual, seja a responsável pelo aumento do número de casos da doença na cidade, e que o setor tem funcionado como uma “vitrine para a conscientização da população” sobre a importância da adoção dos procedimentos de prevenção ao Covid.

Segundo o presidente da CDL em Belo Horizonte, Marcelo de Souza e Silva, uma nova restrição geraria uma onda de fechamento de empresas, com a perda de empregos para os trabalhadores do setor. “Um novo fechamento agora com certeza irá interromper o processo de recuperação de milhares estabelecimentos. Se alguém se sacrificou para salvar vidas na cidade, esse alguém foi o comércio. Portanto, além de solicitar que a prefeitura não feche novamente, reafirmamos nossa disposição em dialogar e colaborar efetivamente com o poder público, para encontrarmos novos caminhos e ações para a prevenção da doença na cidade”, disse.

Após fechamento, em março, o comércio da cidade foi autorizado a retornar, de forma gradual, em agosto de 2020. Desde então, segundo a CDL, os estabelecimentos têm mantido o protocolo de segurança para evitar a disseminação da Covid no município. “Desde o processo de reabertura, o comércio, em sua ampla maioria, tem adotado todos os protocolos sanitários exigidos para os devidos cuidados com a saúde dos trabalhadores, consumidores e da população em modo geral. Com uso de máscara, disponibilização de álcool em gel e atendimento sem aglomeração de pessoas. É isso que temos visto nos estabelecimentos”, concluiu.

Queda nas vendas

Com a pandemia, o comércio foi afetado nas vendas de Natal. De acordo com pesquisa divulgada pela CDL, 68,2% dos lojistas tiveram vendas piores quando comparado ao ano de 2019.

Segundo os dados, para 37,5% dos comerciantes, o período não superou as expectativas. Apenas para 27,5% as vendas cresceram e superaram as expectativas para a data.

Para 88,1% dos empresários, a pandemia e o isolamento social impactaram “fortemente na atividade econômica e no orçamento das famílias”, sendo o principal obstáculo enfrentado durante as vendas, seguido da queda na renda dos trabalhadores, da redução do fluxo de pessoas circulando nas ruas, horário de funcionamento, desemprego e inflação.

 Apesar das dificuldades, os comerciantes entrevistados apontaram fatores que foram importantes para as vendas na data, com o auxílio emergencial, promoções e ofertas, compras on-line e décimo terceiro salário. “Ao longo do ano, a população designou maior parte de sua renda disponível para compra de bens de primeira necessidade, evitando o consumo de bens de maior valor agregado e o endividamento a longo prazo, com receio do desemprego. O Natal é uma data com grande apelo emocional, mas as pessoas consomem presentes de menor valor. Em um balanço geral, concluímos que o auxílio emergencial, a Black Friday e as estratégias adotadas pelos lojistas, como promoções e vendas on-line, foram essenciais para que o varejo não amargasse ainda mais prejuízos”, finalizou o presidente Marcelo de Souza e Silva.

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