Mesmo após meses respeitando o isolamento social, usando máscara e álcool em gel, Cláudia Mara Ribeiro, de 55 anos, contraiu a Covid-19. Presidente do Conselho Comunitário de Segurança Pública (Consep) de Venda Nova, em Belo Horizonte, ela ainda enfrenta obstáculos, como a perda de paladar e de olfato.

Ela, que também é síndica de um prédio da região, suspeita que se contaminou após participar de um evento, em 23 de novembro - apesar de todos os cuidados seguidos à risca.

Sem doenças preexistentes, lembra que, uma semana depois, foi acometida por uma diarreia que durou cerca de cinco dias. Em seguida, a garganta começou a doer e a coçar.

“Como eu havia estado na casa da minha mãe, que está em obras e tinha poeira, achei que fosse isso. Só que, à noite, minha garganta estava inflamada e tive febre”, relembra.

Cláudia Mara conta que ligou para a filha, que mora em Contagem e já havia tido Covid-19, e falou dos sintomas. “Ela me recomendou que fosse para o hospital. Mas eu não queria ir. Acabei indo ao posto de saúde, do meu bairro, o Rio Branco. Fui a pé e cheguei lá supercansada. Faltava tanto ar que não conseguia conversar”.

Só pelos sintomas, a médica já diagnosticou a doença, receitou alguns medicamentos, isolamento e recomendou que, em caso de piora, Cláudia procurasse um hospital.

Falta de ar

“Naquela tarde, tive outra crise de falta de ar. À noite também, mas eu não quis ir para o hospital. Me deu um baixo-astral com o diagnóstico, eu chorava duas a três vezes ao dia. Pensei que se fosse parar no hospital não ia sobreviver. Que seria intubada, iria para o CTI e morreria”, admite Cláudia.

Mais de 20 dias depois do diagnóstico, ela ainda convive com sintomas como perda de paladar e de olfato. E comemora que a filha de 22 anos, com quem divide o apartamento, não tenha apresentado nenhum sinal da doença.

Cláudia Mara conta que todos os protocolos para evitar a contaminação pelo novo coronavírus foram tomados no condomínio onde é síndica, desde o começo da pandemia. “Coloquei tapetes sanitizantes nas 14 portarias e dispenser de álcool em gel”.

“Acho que todos devem seguir o protocolo recomendado pelas autoridades de saúde e tentar evitar a Covid-19. Não se aglomerar, não se expor, não se arriscar. É preciso usar máscara, álcool em gel, redobrar os cuidados”, defende.