A descentralização da compra, da distribuição e da campanha de vacinação contra o coronavírus é um erro, segundo o infectologista Unaí Tupinambás, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da Prefeitura de Belo Horizonte. Ele acredita que as decisões sobre quais vacinas o Brasil deve adquirir para imunizar toda a população, assim como a elaboração de um calendário, devem ser tomadas pelo Programa Nacional de Imunização (PIN), órgão ligado ao Ministério da Saúde, criado em 1973 com o objetivo principal de supervisionar, controlar e avaliar a execução das vacinações no território nacional.

Unaí Tupinambás afirma que o PIN tem um desfafio pela frente para elaborar um calendário de vacinação contra à Covid-19, que seja compatível com as outras campanhas de vacinação já existentes no Brasil, já que, segundo ele, são necessárias 2 doses da vacina contra o coronavírus e não podem ser aplicadas junto com outras vacinas, como a da gripe.

Porém, diversas cidades e estados estão tomando medidas na tentativa de agilizar a vacinação. Cidades mineiras como Belo Horizonte e Uberlândia já deram início às negociações de olho na chinesa Coronavac, desenvolvida em parceria com o Instituto Butantan, de São Paulo. As prefeituras também miram, respectivamente, a da Pfizer, que desde terça-feira é aplicada em massa no Reino Unido, e a russa Sputnik.

A medida é uma tentativa de encurtar o tempo para que a proteção chegue à população. Porém, ainda não é possível cravar uma data para a aprovação de qualquer imunizante em teste e quando, de fato, as pessoas começarão a receber as doses.

Para isso, é preciso analisar os dados coletados durante as pesquisas e os resultados da fase 3 (testes em humanos), além de eventuais requisições de mais estudos que podem ser solicitadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destaca o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri. “Montar um esquema de vacinação sem saber que vacina será usada é muito temerário”, complementa.

Nesta semana, em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse que a imunização pode começar ainda em dezembro, caso a Pfizer antecipe a entrega das doses. Mas o diretor da SBim frisa que esse imunizante representa um desafio, uma vez que precisa de refrigeração abaixo de 70 graus.

“É um problema mundial. Por aqui, os estados vão precisar fazer adaptações. O próprio fabricante está buscando alternativas. Ainda sim tem uma logística bem complicada e o preço da dose é cinco vezes mais caro que a de Oxford”, diz Kfouri.

Na capital mineira, a PBH anunciou ter feito acordo com a UFMG para a disponibilização de três freezers para a conservação das doses da Pfizer, caso seja necessário, além da Coronavac, adquirir essa proteção para complementar a oferta à população. Em 25 de novembro, o prefeito Alexandre Kalil disse ter dinheiro em caixa para comprar doses para todos os moradores da metrópole. Cerca de 2 milhões de seringas já foram estocadas.

Assista a entrevista na íntegra com Unaí Tupinambás: