A terceira audiência de conciliação entre a Vale e o governo de Minas, realizada nesta quarta-feira (9), no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), terminou mais uma vez sem consenso sobre as negociações para o principal acordo de reparação dos danos socioambientais provocados pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. 

A tragédia, ocorrida em 25 de janeiro de 2019, matou 270 pessoas e 11 corpos ainda não foram localizados. Cerca de 11,7 milhões de metros cúbicos de rejeitos vazaram após o rompimento da estrutura, gerando destruição e danos à comunidades e ao meio ambiente de Brumadinho e de outras cidades da calha do rio Paraopeba.

A primeira audiência ocorreu em 22 de outubro e a segunda, em 17 de novembro. Um novo encontro foi marcado para 17 de dezembro.

Segundo o secretário-geral do Estado de Minas, Mateus Simões, que participou da reunião, houve uma evolução considerável nas discussões, mas valores da reparação não foram discutidos nesta audiência. "A audiência de hoje marca um momento novo nas tratativas. Nós conseguimos chegar a um consenso sobre a governança do acordo. Ou seja, aqueles assuntos que dizem respeito aos atingidos vão ser remetidos à Assembleia Legislativa, que vai garantir a participação democrática, o controle social da aplicação dessas verbas. Também discutimos as obrigações da Vale de reconstituição do ambiente e de reparo ambiental que ela tem de providenciar e como é que isso vai ser controlado".

Simões disse ainda que a partir da próxima sexta-feira (11) estão marcadas reuniões com todos os envolvidos para "avançar na direção de um acordo que marque o fim da discussão e o início da reparação efetiva dos danos, afastando definitivamente o fantasma de Mariana sobre Brumadinho para que a gente não viva em Brumadinho o que foi vivido em Mariana em termos de atraso de reparação".

Integrantes do Movimentos dos Atingidos por Barragem (MAB) e de outras entidades ligadas às pessoas afetadas pela tragédia fizeram um ato em frente ao TJMG. Eles cobram participação dos atingidos nas discussões sobre as indenizações. "Foi muito importante a pressão, a mobilização que a gente fez durante todo esse período. Não deve ter acordo nenhum sem a participação dos atingidos e essa é nossa luta principal", afirmou o coordenador geral da Assessoria Técnica Independente (ATI) da região 3 do Paraopeba, Flávio Bastos.