Uma reunião realizada na tarde desta sexta-feira (20) definiu um plano de ação para retirada das 35 pessoas que moram no entorno da barragem Norte/Laranjeiras, da mina de Brucutu, no município de Barão de Cocais, em Minas Gerais. Além das famílias, 790 animais também serão tirados da área de risco. Todo o processo de evacuação deve ocorrer até o dia 18 de dezembro. 

Representantes da Defesa Civil estadual e municipal, da Polícia Militar (PM), do Corpo de Bombeiros e da Vale, empresa responsável pela barragem, traçaram estratégias para evacuação de dez famílias do local. Na última quarta-feira (18) o nível de emergência da barragem subiu para 2 por conta de uma trinca na ombreira esquerda.

De acordo com o tenente-coronel Flávio Godinho, coordenador adjunto da Defesa Civil de Minas, o contato com as famílias atingidas começou a ser realizado na quinta-feira (19) e será feito até o próximo dia 28 de novembro. “Juntamente com a Vale foram feitos planejamentos e alguns acordos com datas estipuladas. Os contatos serão feitos até o dia 28 para que as famílias façam a escolha dos imóveis que elas pretendem morar. Já temos oito locais mapeados, mas caso não escolham nenhum deles, eles podem apontar outros imóveis”, disse, completando que as famílias serão levadas para sítios, já que possuem muitos animais. Caso os moradores apontem outro local para moradia, a data limite para avaliação será dia 3 de dezembro.

Ainda segundo Godinho, todas as famílias devem ser evacuadas até o dia 18 de dezembro, mesma data limite para recebimento de uma ajuda financeira disponibilizada pela Vale. “A mineradora tem até o dia 18 para dar a ajuda de R$ 5 mil, isso foi acordado em reunião. Em relação as outras indenizações, os moradores devem fazer um contato no escritório da Vale de forma individual”, afirmou.

O contato com os residentes está sendo feito de forma individualizada pela Defesa Civil das cidades de Barão de Cocais e São Gonçalo do Rio Abaixo. Uma cartilha, contendo as ações e com os esclarecimentos necessários, será entregue a cada família. “Algumas pessoas estão resistentes em sair. É lógico que é complicado retirar as famílias de suas casas, elas têm um pertencimento com aquela terra, nós temos que respeitar. Mas o maior bem que nós temos é a vida. Então se para aquela residência foi apontada que a solução é evacuação, que elas façam a evacuação. E, se acontecer, e a barragem retornar para o nível 1, que as pessoas retornem para sua terra a continuem com a sua vida naquele local que elas escolheram para viver”, finalizou.

O Hoje em Dia entrou em contato com a assessoria da Vale para um posicionamento sobre o assunto, mas até a publicação da reportagem não obteve retorno. 

Emergência em nível 2

A retirada dos moradores será feita de forma preventiva, de acordo com o protocolo de emergência em Nível 2 da barragem, que é referente ao Plano de Ação de Emergência de Barragens de Mineração (PAEBM).

Na última quarta-feira, a Vale informou que “adota essa medida em linha com o acompanhamento das condições de segurança de suas estruturas e mantém campanha de investigação geotécnica com o objetivo de definir as ações para o contínuo aprimoramento destas. A elevação do nível de emergência reflete uma abordagem conservadora da companhia, embora não tenham sido observadas alterações relevantes quanto aos fatores de segurança da estrutura”. De acordo com a empresa, a barragem Norte/Laranjeiras não recebe rejeitos e, por isso, desde dezembro de 2019, não faz parte do seu plano de produção de minério de ferro.

Segundo o Flávio Godinho, a mineradora ainda não conseguiu apresentar um nível técnico do motivo da trinca. “Foi elevado a nível 2 porque, até o momento, a Vale não conseguiu apresentar o motivo. Ela já foi selada, então basicamente não existe mais. Mas precisa de uma sondagem para que seja verificado o porquê”, concluiu o tenente-coronel, que informou ainda que geotécnicos afirma que a trinca não traz risco de rompimento da barragem

Sul Superior

Em março de 2019, 156 famílias das comunidades de Socorro, Piteira, Tabuleiro e Vila do Gongo tiveram de ser evacuadas por morarem na área de autossalvamento da barragem Sul Superior, da mina Gongo Soco, que está em nível 3 de segurança (risco iminente de rompimento). A Justiça determinou que a Vale continue pagando auxílio emergencial a essas famílias evacuadas. 

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