O governo de Minas emitiu um comunicado nesta sexta-feira (13) para se posicionar sobre o acordo que está sendo negociado com a Vale sobre a reparação referente ao rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho, em janeiro do ano passado, quando morreram 270 pessoas. Para o Executivo, a proposta feita pela Vale é insuficiente para reparar todos os danos socioambientais. O comunicado foi feito após a reclamação dos atingidos de que não haviam sido convidados para participar da negociação.

De acordo com o governo, não se trata de um acordo sigiloso, tanto que informações foram divulgadas após a primeira audiência de conciliação no Tribunal de Justiça no dia 22 de outubro, contando com a participação de Ministério Público Federal, Ministério Público de Minas Gerais, Defensoria Pública de Minas Gerais e Defensoria Pública da União. A proposta do governo foi de uma reparação total de R$ 54,6 bilhões e a empresa enviou uma contraproposta.

No comunicado, o governo não informou qual foi o valor proposto pela empresa, mas adiantou que a “considera insuficiente em razão do volume dos danos socioeconômicos causados pelo rompimento da barragem. A mediação buscará avançar para valores compatíveis e proporcionais aos danos sofridos”. Uma fonte informou ao jornal Hoje em Dia que a contraproposta feita pela Vale foi de R$ 16 bilhões em indenizações e reparações. 

O Governo diz ainda que as tratativas por um acordo buscam evitar uma batalha jurídica por anos e que, caso o acordo seja firmado, parte dos projetos “será decidida diretamente pelas comunidades atingidas, com amplo processo de participação”. Afirmou também que foram realizadas audiências públicas nas últimas semanas sobre o assunto com participação de movimentos sociais e atingidos.

A Vale informou que irá se manifestar nos autos do procedimento sobre os valores de um eventual acordo. “A empresa segue mantendo um diálogo construtivo com o governo de Minas e as instituições de Justiça, visando a um possível acordo em benefício de todo o Estado e, especialmente, das populações de Brumadinho e municípios impactados da calha do rio Paraopeba”, afirmou a mineradora. 

O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) afirmou, em redes sociais, que está alerta diante da possibilidade de acordo entre o Estado e a Vale. "Exigimos a participação ampla e a centralidade da vítima como pilares de todo o processo de negociação, a garantia das necessidades emergenciaise garantia dos processos de reparação sem o controle direto da Vale".