A causa da morte de um voluntário que participava dos testes da candidata a vacina da empresa chinesa Sinovac foi suicídio, informou o Jornal da Tarde, da TV Cultura, nesta terça-feira (10). De acordo com a emissora mantida pelo governo de São Paulo, o laudo oficial do Instituto Médico Legal será apresentado à imprensa às 17h.

Na noite desta segunda (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a suspensão dos testes da Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan em parceria com o laboratório chinês Sinovac Biotech. A agência havia informado que a decisão havia sido tomada porque um voluntário havia sofrido um evento adverso.

Na manhã desta terça, em coletiva à imprensa, o diretor do Butantan, Dimas Covas, garantiu que a morte do voluntário não estava relacionada à candidata a vacina, mesmo sem adiantar qual havia sido o motivo do óbito, por “sigilo e questão de ética”.

"Nós estamos tratando aqui de um evento adverso grave que não tem relação com a vacina. Essa informação está disponível à Anvisa desde o dia 6, quando foi notificado o evento adverso grave", afirmou Dimas Covas.

A direção do Butantan contestou a decisão da Anvisa e já solicitou a retomada dos testes no Brasil. Nesta semana, o governo de São Paulo confirmou que um lote com milhares de doses deve chegar da China no dia 20 deste mês.

Já durante a tarde, foi a vez da Anvisa reunir a imprensa para reforçar que a suspensão dos testes da Coronavac foi realizada para garantir a segurança dos procedimentos das pesquisas, pois não havia recebido informações completas sobre o óbito. A agência garantiu que não recebeu a informação de que o voluntário havia atentado contra a própria vida. 

A agência deixou claro ainda que não trabalha em forma de parceria com centros de pesquisa ou desenvolvedores de vacinas, pois atua de forma completamente independente.

Testes

Coordenado pelo Instituto Butantan, os testes envolvem 13 mil profissionais de saúde em centros de pesquisa de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal. Até o momento, mais de 10 mil pessoas já receberam ao menos uma das duas doses da vacina ou placebo, segundo o Instituto Butantan. Em Belo Horizonte, o estudo é realizado pelo Instituto de Ciências Biológicas, da UFMG, com cerca de 850 voluntários.  

Não foi divulgado em qual cidade morava o voluntário que morreu nem se ele havia tomado a dose da vacina ou um placebo. 

Segundo o Butantan, assim que os estudos clínicos comprovarem os índices de segurança e eficácia, a Coronavac será submetida ao devido registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para, somente depois, ser distribuída para a vacinação da população.

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