O ex-diretor do programa Bolsa Moradia de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), é suspeito de desviar pelo menos R$ 4,1 milhões do benefício destinado ao pagamento do aluguel de imóveis para pessoas carentes na cidade. Do montante, estima-se que que R$ 1 milhão foram depositados na conta bancária de um filho adolescente do investigado. 

camara de contagem

Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na Câmara Municipal de Contagem

Quatro pessoas foram presas nesta quarta-feira (28) durante a operação “Aluga-se”, realizada pelo pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), com apoio das polícias Civil e Militar. Ao todo, 31 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Belo Horizonte, Contagem, Baldim, Ribeirão das Neves, Oliveira, Jaboticatubas e Lagoa Santa.

As investigações foram iniciadas em março, pela Promotoria de Patrimônio Público de Contagem, após a Controladoria-Geral da prefeitura detectar indícios de irregularidades no programa. No mesmo mês, de acordo com o coordenador do Gaeco, Fabrício José da Fonseca, o ex-diretor foi afastado das funções que exercia desde 2017 - ano que, de acordo com o MP, teria começado a desviar os recursos. 

Porém, até agosto, o investigado teria permanecido com o computador que tinha acesso ao sistema de pagamentos e, assim, continuado com as irregularidades. Em média, segundo o promotor, o valor mensal pago a uma pessoa beneficiada pelo programa era de R$ 700. No entanto, foram apurados repasses suspeitos bem superiores ao montante.

Esquema

Além do filho do ex-diretor, empresas que vendem materiais de construção e uma entidade beneficente, que teria o próprio investigado como presidente, receberam pagamentos indevidos. As apurações também miram outras duas pessoas por associação criminosa com o ex-servidor público.

Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares e documentos. “Vamos continuar com as investigações para apurar a participação de outras pessoas, como agentes públicos e políticos, e de empresas privadas”, afirmou Fabrício José Fonseca.

O promotor destacou, ainda, que os desvios prejudicaram beneficiários do Bolsa Moradia. “As pessoas que necessitavam não recebiam devidamente os recursos. Havia o desvio, e esse desvio impedia que pessoas carentes recebessem o valor referente ao aluguel dos imóveis”, explicou.

Candidato à prefeitura

Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido no gabinete do vereador licenciado Ivayr Soalheiro, que é candidato à Prefeitura de Contagem. Ele foi secretário municipal de Desenvolvimento Urbano na cidade, em 2017.

Em nota, o parlamentar informou ser vítima de perseguição política, “por ocupar o segundo lugar em todas as pesquisas na sucessão (do Executivo municipal”.

Leia o texto na íntegra:

“Ivayr não tem nenhum envolvimento nas denúncias e confia na criteriosa apuração dos órgãos de investigação para punir os verdadeiros culpados. Sua vida sempre foi pautada pela honestidade e transparência. Assim como qualquer cidadão de bem, Ivayr está, profundamente, indignado com a fraude ocorrida no Programa Bolsa Moradia, supostamente realizada por um ex-servidor da subsecretaria de Habitação da Prefeitura de Contagem, que funcionava de forma autônoma, em prédio distinto; Ivayr Soalheiro assumiu a Secretaria de Desenvolvimento Urbano no final de 2017, sendo que a secretaria-adjunta de Habitação foi incorporada à mesma em maio de 2018, decorrente da reforma administrativa realizada pela Prefeitura de Contagem. Os recursos do Bolsa Moradia são monitorados por leis específicas do município, em ação conjunta com outras secretarias, e com o controle dos órgãos internos. Ivayr Soalheiro foi um dos primeiros a assinar a petição para instalação da CPI pela Câmara Municipal. Ele compreende que os fatos deverão ser apurados por todos os órgãos e os envolvidos, exemplarmente punidos. Por fim, Ivayr Soalheiro lamenta profundamente que tal operação ocorra justamente em período eleitoral e ressalta que tem sido vítima de ataques permanentes de fake news nas redes sociais. Além disso, seu comitê foi alvo de vandalismo na última semana e ontem as bandeiras foram quebradas”.

Leia Mais:
Polícia investiga fraude em compra de insumos para combate à Covid-19 em Minas
MP desmonta esquema de desvio de recursos destinado ao combate à Covid-19 na Zona da Mata
Força-tarefa investiga regalias em penitenciárias mineiras e mira servidores públicos e advogados