Um violão desenvolvido para ser tocado com apenas uma das mãos é a prova de que a ciência e a tecnologia estão a serviço da saúde física e mental, qualidade de vida e bem-estar. O instrumento inusitado foi criado sob encomenda por alunos de engenharia da UFMG para um jovem músico que perdeu os movimentos da mão direita após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

violão mobilidade ufmg

Músico Ricardo recebeu o novo violão da equipe de João Trindade há quatro meses

Depois de o irmão Ricardo Domingues Fernandes, instrumentista, de 42 anos, se recuperar do AVC que lhe deixou algumas sequelas – como ficar afásico e com limitações de mobilidade no lado direito do corpo –, Ângelo Domingos Fernandes decidiu que o ajudaria a voltar a fazer o que mais ama, tocar violão, principalmente, porque a memória musical de Ricardo se manteve intacta.

Foi uma sensação muito boa constatar que a gente é capaz de fazer coisas bacanas assim” (João Trindade, aluno de Engenharia Elétrica da UFMG)

Pesquisa

Foram dois anos de pesquisa e desenvolvimento, conta João Trindade, aluno de Engenharia Elétrica da UFMG, um dos gerentes do projeto na Consultoria e Projetos Elétricos Júnior (CPE) da universidade. “Usamos um cartãozinho de celular para que o cliente escreva as partituras que quer. Dentro do cartão, ele coloca um documento padrão de texto, escreve algumas letras, na ordem que ele quer, usando um índice que criamos. Quando encaixa o cartão no computador, o sistema entende e faz o motor realizar os movimentos”, detalha João Trindade.

O violão usado para acoplar a tecnologia é do próprio Ricardo, que costumava tocava na noite com o pai, Antônio Lourenço Fernandes de Oliveira, antes de sofrer o AVC, em 2016. A família juntou os R$ 5 mil do custo do projeto realizando vaquinhas virtuais e entre amigos.

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Tecnologia adapta motores e cartão de celular que recebe programação especial

Sem similares

O futuro engenheiro João Trindade conta que não há nada similar à tecnologia do novo violão no mercado. Um projeto que pode ser encontrado na internet – de um violão desenvolvido com o mesmo objetivo, de facilitar o acesso a pessoas com dificuldade de mobilidade –, no entanto, não dispõe do mesmo nível de tecnologia. Esse outro instrumento tem 12 cordas.

“Foi uma sensação muito boa constatar que a gente é capaz de fazer coisas bacanas assim e ver a reação do Ricardo e da família, com o violão”, diz João Trindade, revelando que algumas pessoas já ligaram para a CPE-UFMG, interessadas no projeto. “Estamos conversando, para fazer algo bem adaptado para quem precisa e, com avanços, para ficar cada vez melhor para futuros usuários”.

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Além disso

A Consultoria e Projetos Elétricos Júnior (CPE), da UFMG, integra o movimento de empresas juniores que são organizações sem fins lucrativos. “A gente cobra, mas não recebe salário. O dinheiro é voltado para que possamos fazer cursos preparatórios, para que tenhamos acesso a empresas profissionais que nos preparem para programar, nos preparem para o mercado de trabalho”, informa o estudante de Engenharia Elétrica João Trindade.

O valor cobrado para projetos como o do violão para ser tocado com uma só mão, diz Trindade, é basicamente o preço do material usado “e uma quantia para financiar esses cursos” que ajudam a capacitar os universitários para a vida profissional.

As equipes envolvidas nos projetos elaborados na CPE, normalmente compostas por cinco estudantes, mudam a cada semestre, segundo João Trindade, oferecendo a oportunidade de aprendizado a um número maior de estudantes de Engenharia de Controle de Automa</CW>ção, Engenharia de Sistemas e Engenharia Elétrica.