Depois de 18 dias de internação, o professor e psicólogo Cristiano Mauro Assis Gomes, de 47 anos, uma das vítimas de intoxicação por substâncias químicas encontradas em cervejas da Backer, já está em casa. Ele recebeu alta médica do Hospital Felício Rocho, na tarde desta sexta-feira (16), onde foi submetido a um transplante de rim no fim de setembro. O órgão foi doado pela própria esposa, Flávia Schayer, de 48.

cristiano backerCristiano Mauro recebeu o rim, da própria esposa, no fim de setembro

Em nota, a unidade de saúde informou que o procedimento foi um sucesso "e (Cristiano) apresenta boa evolução clínica e exames laboratoriais com excelente resultado". A partir de agora, o paciente irá manter o controle ambulatorial.

De acordo com a família, o professor apresentou os sintomas de síndrome nefroneural no fim de 2019. Ele foi internado em 23 de dezembro e ficou 75 dias hospitalizado, sendo 44 deles no CTI.

Cristiano Mauro, ainda segundo os parentes, não apresentava problemas de saúde e era assíduo na academia. Porém, depois da intoxicação ao consumir a cerveja, desenvolveu hipertensão e estava fazendo sessões de dez horas de hemodiálise.

Denúncia

Nesta sexta-feira (16), o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o juiz Haroldo André Toscano de Oliveira, da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, aceitou a denúncia, do Ministério Público (MP), contra dez sócios e funcionários da Backer por envolvimento na adulteração de bebidas alcóolicas que provocaram dez mortes e deixaram outras 16 pessoas com lesões gravíssimas

Os três proprietários da empresa foram denunciados por adulteração de bebidas alcoólicas, perigo comum e crimes tipificados no Código de Defesa do Consumidor (CDC). Já sete engenheiros e técnicos encarregados da fabricação de cerveja e chope foram denunciados pelos crimes de lesão corporal grave e gravíssima, homicídio culposo, além dos crimes imputados aos sócios.

Conforme a denúncia, os crimes ocorreram entre o início de 2018 e 9 de janeiro de 2020. Nesse período, o monoetilenoglicol (um anticongelante) foi utilizado em excesso na fabricação de bebidas.

Falso testemunho

Uma 11ª pessoa também foi denunciada pelo MP, mas por ter prestado informações falsas durante o inquérito policial.

De acordo com o TJMG, descobriu-se que o falso testemunho foi motivado porque o homem estava envolvido em um desacordo trabalhista com uma empresa que fornece insumos para a Backer, entre eles a substância monoetilenoglicol.

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