Servidores públicos de unidades prisionais e advogados estão sendo investigados por negociar vendas de vagas em presídios e penitenciárias de Minas. A organização criminosa, de acordo com a Polícia Federal (PF), determinava espaços privilegiados em pavilhões e a entrada de objetos, como celulares, nas cadeias. Os beneficiários eram bandidos de alta periculosidade que pagavam pelas regalias.

Para combater o esquema, a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrou na manhã desta quinta-feira (8) a Operação Alegria, que cumpre 47 mandados, sendo 29 de prisão preventiva e 45 de busca e apreensão. As ordens judiciais estão sendo executadas em Belo Horizonte e em 14 cidades.

Conforme os investigadores, a corrupção acontecia, inclusive, na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH. Lá, os presos que pagavam pelas vantagens eram transferidos indevidamente e colocados em alas com benefícios.

A unidade, que deveria ser de segurança máxima, era chamada pelos detentos de “Nelson Alegria”. A forma cômica como se referiam ao local denominou o nome da operação. "Foram identificados inúmeros eventos de corrupção praticados pela organização criminosa, envolvendo, principalmente, dois estabelecimentos prisionais na região metropolitana de Belo Horizonte", informou o Ficco, em nota.

Além de BH, a ação ocorre simultaneamente em Betim, Contagem, Fervedouro, Francisco Sá, Lagoa Santa, Matozinhos, Muriaé, Ouro Preto, Passo, Patrocínio, Ribeirão das Neves, Uberaba, Uberlândia e Vespasiano. 

Os presos são investigados pelos crimes de participação em organização criminosa, corrupção ativa e passiva e concussão. Se condenados, podem pegar até 20 anos de prisão. Participam da operação Alegria as polícias Civil, Penal e o Departamento Penitenciário Federal, além da PF. 

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e o Departamento Penitenciário informaram, em nota, que não compactuam com desvios de conduta de seus servidores. "A secretaria tem atuado, com prioridade e dentro do que prevê a lei, no combate a ações criminosas e no flagrante e investigação de posturas inadequadas com a conduta esperada de um profissional da segurança pública", divulgou a Sejusp.

O órgão ressaltou, ainda, que apoia operações para que visam combater desvios e destacou que os presos não "conjugam dos valores cultivados pelo Departamento Penitenciário de Minas Gerais e não representam os mais de 17 mil servidores  que, diariamente, possuem a missão de custódia e ressocialização de cerca de 60 mil internos em Minas".