Nesta semana acontece a 27ª edição do Encontro Nacional de Empresas Juniores (Enej) – de sexta a domingo, com um ‘aquecimento’ que começa nesta segunda (5) e vai até quinta-feira (8), tudo de forma on-line. Com mais de 7 mil inscritos, número superior em relação ao do ano passado, o evento traz uma constatação: o interesse de jovens universitários na criação e no desenvolvimento de negócios e empresas durante o período da faculdade.

No Brasil, existem mais de 1.100 empresas juniores e 22 mil empresários juniores em mais de 210 universidades. O número, de acordo com especialistas do ramo, vem crescendo e influenciando também as cifras do país. O Movimento Empresa Júnior (MEJ) já foi responsável por injetar R$ 70.000,00 na economia nacional nos últimos dois anos, sendo reinvestidos na educação empreendedora dos universitários e das empresas. Só para se ter uma ideia, o Enej 2020 deverá movimentar mais de R$ 270 mil, segundo projeção.

“O interesse se torna cada vez maior, porque sabemos que há acesso ao desenvolvimento constante, e também existe muita proatividade (de universitários)”, ressalta Ana Beatriz Cesa, presidente executiva da Brasil Júnior, da Confederação Brasileira de Empresários Juniores, responsável por organizar o Enej. “Um número interessante é o de EJs (empresas juniores) que federamos por ano. Em 2017, federamos 176 novas EJs; em 2018 foram 221; e em 2019 federamos 342 novas EJs”, completa.

Da teoria à prática

Uma das faculdades que apoia e estimula jovens universitários que pleiteiam criar suas EJs, ensinando-lhes o ‘caminho das pedras’, é o Promove. “Uma preocupação que temos no Promove é na questão de utilizar ensinamentos dos livros e colocá-los em prática. Sob orientação de professores, em um sistema multidisciplinar, com toda a preocupação que existe no mercado e em fatores financeiros”, destaca Fernando Custódio, professor na Faculdade Promove, consultor, facilitador, palestrante e tutor de cursos do Sebrae.

Para ele, a importância do empreendedorismo universitário se faz necessária a quem anseia trilhar por esta área desde cedo. “A vivência se dá na prática. E o universitário recebe todo o apoio e amparo de professores nesse sentido, a ter no futuro uma vivência de mercado. Então, é como se fosse um estágio, para colocar em prática tudo que aprendeu”, enfatiza.

Exemplo

Uma das pessoas que se enveredou pelos caminhos do empreendedorismo universitário e obteve várias conquistas é Marina Quezia Mota Alves, hoje presidente na ADV Junior Consultoria Jurídica, na Bahia. Ela recorda que sua trajetória na faculdade começou a mudar no quinto semestre.

“Diante de relatos de colegas que passaram por empresas juniores, pensei que não custava nada me inscrever em um processo seletivo. Percebi muita diversidade dentro da organização da empresa e o quão maduro era o processo de seleção. Naquele momento percebi que tinha uma oportunidade diferente", relembra.

O “trabalho de conclusão de curso” na empresa acabou fazendo diferença. “A gente precisava escrever uma crítica à empresa e propor uma solução para tal problema. Na época, fiz um trabalho criticando a falta de inovação de serviços, sugerindo novos serviços, que se tornaram alguns dos mais vendidos em 2020. Passei a ser gerente de projetos, ficando em contato com o cliente, e a lidar de forma mais madura", disse ela, eleita presidente no fim de 2019.

Conselhos

Aos jovens que se veem inclinados a seguir pelos campos do empreendedorismo universitário, Ana Beatriz aconselha “se jogarem de cabeça”. “Aproveitem a oportunidade e o privilégio de estar em uma instituição de ensino superior e não se deixem intimidar pelo desafio que possam enfrentar. As realidades são diversas em superar desafios muito grandes. Busque auxílio e uma rede de apoio para fazer parte desse desenvolvimento. Empreendedor não é só aquele que funda uma nova empresa, mas sim aquele que assume uma postura diante de diversos desafios. Uma postura empreendedora de inovar e mudar a forma como enxerga o país”.

Por sua vez, Custódio dá uma dica embasada no lema “fazer, treinar, estudar”. “Entre as características de comportamento empreendedor, está a busca de informações, a iniciativa e a persistência. Em universidades, é necessário colocar isso em prática, não deixar que oportunidades passem. Utilizem e ‘usem e abusem’ das oportunidades, auxiliado por seus professores, para darem seus voos solos”, completa.