A queda de quase 45% nos casos de Covid-19 por 100 mil habitantes, em uma semana, coloca Belo Horizonte mais perto da reabertura das instituições de ensino. A proporção que até quinta-feira passada era 143, chegou a 79 para cada grupo de 100 mil. Para a retomada das atividades presenciais nas faculdades, precisa cair para 50.

Para o ensino médio, a taxa aceitável é de 20, disse o infectologista Carlos Starling, membro do Comitê de Enfrentamento à doença criado na capital. Os alunos do fundamental poderão retornar quando a cidade tiver cinco notificações ou menos a cada 100 mil moradores.

Mas para a retomada não será tão simples, destaca o médico. “Está (o número) caindo mesmo, a queda está sendo progressiva. Porém, não dá para definir ainda quando as aulas voltam, pois há outras questões, como a preparação das escolas. O protocolo tem que estar funcionando adequadamente”.

Ainda sem data definida para receberem os alunos, as escolas municipais de BH já se preparam. A ideia é a implantação do ensino híbrido, conforme a subsecretária de Educação, Natália Araújo, antecipou ao Hoje em Dia.

Os estudantes irão às instituições em dias alternados. Parte das atividades serão presenciais e outra parte com conteúdos enviados via WhatsApp e plataformas digitais. Quem não tem acesso à internet terá acesso ao material impresso.

Desafio
Para especialistas, a metodologia híbrida pode, sim, ser alternativa para a volta às aulas de crianças e adolescentes. Mas o grande desafio será atender a essa faixa etária dentro do modelo. 

“O adulto entende muito bem que há uma parte presencial e outra não. A online exige senso de auto-organização, autoplanejamento e de execução sem ter uma supervisão tão presente. Há possibilidade de esse tipo de ensino para os estudantes do ensino fundamental, mas a dinâmica é outra”, afirma o especialista e consultor em educação Adriano Guimarães, CEO da Prova Fácil.

Mas, para dar certo, é necessário entender que uma pessoa de 8 anos, por exemplo, precisa ser estimulada na aquisição de habilidades para a educação remota. “Tem que ensiná-la e criar atividades não presenciais que exercitem nesse aluno do fundamental os sensos de responsabilidade e de planejamento”, diz o consultor.

“O grande desafio é que tipo de experiência e conteúdo está sendo oferecido para essas crianças antes de elas irem para a aula. Se quisermos chegar a um modelo mais trabalhado, é preciso pensar que conteúdo chega no on-line e em sala de aula promovo atividades que possam por em prática o que viram no on-line. Esse seria o modelo esperado”, complementa Fernanda Alves, líder da equipe pedagógica de Transformação Digital na Nuvem Mestra, do Grupo Inicie Educação. 

Debates em conjunto
Coordenador-geral do Movimento Pais e Avós Sentinelas pela Qualidade na Educação, Mário de Assis defende que o retorno das aulas seja discutido em conjunto com a sociedade. “A educação das nossas crianças não é domínio integral das autoridades. A família tem essa responsabilidade”.

Segundo ele, um dos pontos a serem debatidos é a inclusão social. “A própria prefeitura disse que não seria possível o ensino on-line porque muitas pessoas não têm condições, uma estrutura para isso. Então, é preciso entender como vão ficar todos os lados envolvidos nessa questão”, frisou Mário de Assis. [PE_BIOG](Com Renata Evangelista)

 

 

PONTO A PONTO

Veja como será o ambiente nas escolas municipais de BH:

Os estudantes irão às escolas em dias alternados, com aulas presenciais e a distância

O distanciamento entre os alunos será de dois metros nas salas, que terão fitas adesivas delimitando os espaços entre as carteiras e o caminho a ser percorrido até o mobiliário

No ensino remoto, os conteúdos serão enviados pelo WhatsApp e plataformas digitais. Crianças e adolescentes sem acesso à internet receberão material impresso

Recreio sem a presença de todas as turmas. Horário de lanche será alternado para cada turma

Intervalos de 15 minutos a cada 45 minutos dentro das salas, para idas ao banheiro e tomar água

Haverá álcool em gel nos ambientes e tapetes sanitizantes na portaria

Temperatura será aferida e os que apresentarem febre não poderão entrar

Professores, funcionários e alunos receberão, cada um, quatro máscaras de proteção

Lanches serão fornecidos dentro de sala nas escolas que não tiverem espaços suficientes para garantir o distanciamento