As faculdades e as escolas que ofertam o ensino médio devem ser as primeiras a retomarem as aulas presenciais em Belo Horizonte. Para isso ocorrer, segundo as projeções da prefeitura, a cidade deve registrar 50 casos ou menos por cem mil habitantes. Hoje, porém, o índice está em 143.

Já os estudantes do fundamental, como já foi anunciado, só poderão voltar as atividades se o índice chegar a cinco ou menos por cem mil habitantes. Data quando isso deve acontecer, no entanto, não é possível prever, afirma o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 criado na capital.

“Nós não podemos misturar universidade com escola infantil, com bebê, criança. Você manter uma faculdade aberta, onde a pessoa tem a responsabilidade de ter o distanciamento, máscara e mão limpa, com uma criança de 3 anos é muito diferente. Quando se falar em abertura, será em grau diferente”, frisou o prefeito Alexandre Kalil, ontem, durante entrevista coletiva.

Apesar de tanto a rede pública quanto a particular já contarem com protocolos sanitários, para reduzir o risco de transmissão do novo coronavírus, o chefe do Executivo municipal afirma que a retomada vai além dessas normas. “Envolve BHTrans, ônibus, metrô, o trânsito. É quase um milhão de pessoas (voltando as atividades)”.

Além disso, tem o fator da velocidade elevada de transmissão do novo coronavírus no ambiente escolar, acrescentou o infectologista Carlos Starling, membro do comitê. “Existem estudos em locais onde (a escola) foi aberta, que uma criança com outra geralmente tem, em dois dias de aula, cerca de 800 contatos pessoais entre elas, e escola é compulsória, não dá para não ir”, frisou o médico.

Também integrante do grupo, Unaí Tupinambás frisa que o retorno dos colégios abrange toda a população. “Se amanhã tiver um número adequado, a gente pode voltar. Mas não é só o número de casos. Cada um tem que fazer a sua parte, com distanciamento, uso de máscaras”.

Reivindicação
Com os alvarás de funcionamento suspensos pela administração municipal, o sindicato que representa as escolas particulares, o Sinep, reivindicou ao prefeito Alexandre Kalil que reveja a medida, tomada na última semana após o Colégio Militar, vinculado ao Exército, ensaiar a volta das aulas presenciais. 

“Uma vez que não tem efeito prático algum, já que as escolas não reabriram ou ameaçaram forçar uma reabertura em Belo Horizonte. Desde o início da pandemia o Sinep-MG se posicionou com respeito a`s decisões dos órgãos de saúde, únicos responsáveis pelo controle deste vírus que já nos tirou tantas vidas”, explicou a entidade, em nota.

Ontem, durante a coletiva, Kalil disse ter mandado suspender a autorização de funcionamento para evitar uma corrida das instituições de ensino aos tribunais. “Foi uma saída que achamos para não haver descontrole, uma fila indiana de pedidos na Justiça”, complementou.