A "quarentena" de funcionários da mineradora Anglo American em um hotel em Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), está causando alvoroço na web. Por conta do rebuliço, a Vigilância Sanitária da cidade esteve no local na última sexta-feira (11). O temor dos internautas é de que os hóspedes estejam contaminados com Covid-19, informação refutada pela própria prefeitura após a fiscalização realizada.

A polêmica começou com a postagem de uma moradora nas redes sociais. "Ontem, dia 10 de setembro, de 2020, ouvi um hóspede, falando ao telefone, na varanda do hotel, que fica exatamente no rumo da cozinha da minha casa, que ele mais outro amigo, foram colocados nesse hotel pela própria empresa onde trabalham para aguardarem o teste para coronavirus. O que entendi é que uma empresa que presta serviços para a Anglo América colocou essas pessoas hospedadas no hotel. Pelo que entendi, o rapaz é de outra cidade e está para ir para a região da Serra do Cipó para trabalhar", dizia a publicação, que já tinha recebido dezenas de comentários.

Ainda segundo a internauta, ela ligou para a hospedagem. "A pessoa que me atendeu disse que se trata de um grupo de 52 pessoas que estão aguardando o resultado do teste de Covid-19 para serem liberadas para trabalhar. (...) Suas excreções estão sendo lançadas no nosso solo. Essas pessoas deveriam estar nas suas cidades de origem, ou na cidade onde irão trabalhar. Não deveriam estar acomodadas num hotel em Lagoa Santa, que não possui a estrutura de um hospital", afirmou a moradora.

Em nota assinada pela coordenadora do Núcleo de Vigilância em Saúde, Maria Flávia Brandão Bracarense, a Vigilância Sanitária do município explicou que "trata-se de pessoas que estão hospedadas no hotel, não estando em quarentena, a pedido de uma empresa de mineração, cujo interesse é testar essas pessoas/funcionários para que pudessem se juntar aos demais funcionários na sede da empresa em outro município".

Conforme a reportagem do Hoje em Dia apurou, os trabalhadores fizeram testes rápidos antes de chegarem em Lagoa Santa e, na hospedaria, foram submetidos ao RT-PCR por um laboratório contratado pela mineradora. Nenhum deles teria apresentado sintomas da doença.

Em relação aos exames feitos nas dependências do hotel, a Vigilância Sanitária disse que o laboratório responsável pela coleta seguiu todos os requisitos para o trabalho, conforme a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 302/2005, que define os parâmetros para esse tipo de serviço em empresas.

"Em tempo, informamos ainda que o hotel em questão cumpria todos os protocolos definidos pelos decretos municipais no que compete a prevenção e combate ao coronavírus", complementou.

Dessa forma, de acordo com a Vigilância Sanitária de Lagoa Santa, a denúncia de que pessoas infectadas estariam no local "é improcedente".

Também em nota, a empresa hoteleira disse que "está operando normalmente com todos os cuidados necessários". "Monitoramos diariamente os casos confirmados de Covid reportados em nossos hotéis e não temos nenhum caso confirmado no hotel (em Lagoa Santa)".

Procurada, a mineradora Anglo American informou que tratam-se de funcionários em questão são contratados por uma empresa terceirizada e não se enquadram nos critérios de casos em suspeita de infecção de Covid-19. Além disso, declarou que os testes realizados têm caráter preventivo.

Leia a nota na íntegra:

A Anglo American esclarece que os empregados terceirizados que estavam hospedados em Lagoa Santa não se enquadram nos critérios de casos em suspeita de infecção de Covid-19. Os exames realizados são uma medida preventiva tomada pela empresa para todos novos trabalhadores que irão exercer funções nas unidades da empresa. Durante sua permanência no município, todas as precauções estabelecidas pelas normas aplicáveis a essa situação foram tomadas.

A Anglo American reafirma seu compromisso com a segurança de suas operações e das comunidades vizinhas aos seus empreendimentos.

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