Moradores de Venda Nova, que há mais de duas décadas sofrem com inundações na avenida Vilarinho, terão que esperar pelo menos três temporadas chuvosas por uma solução definitiva para as enchentes no local. Ontem, a prefeitura garantiu R$ 200 milhões para as obras, por meio de empréstimo junto à Caixa Econômica Federal (CEF). O dinheiro, no entanto, só poderá ser liberado após o período eleitoral, à medida em que as ações do projeto forem executadas.

A expectativa é a de que as obras sejam iniciadas no próximo ano, com conclusão em 2023. Até lá, continuam valendo as medidas preventivas, como interrupção do tráfego de veículos se a via estiver inundada e limpeza de córregos e boca de lobos para amenizar os riscos. 

O projeto na região engloba 12 intervenções a serem realizadas em três fases, explicou o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão. A referente ao contrato assinado ontem com a CEF está na primeira etapa e, segundo o gestor, é a mais importante.

De acordo com ele, serão construídos dois reservatórios de 34 metros de profundidade (o equivalente a um prédio de 11 andares): um na Vilarinho e outro na avenida Doutor Álvaro Camargos, no bairro São João Batista. Juntas, as estruturas irão reter 230 mil metros cúbicos de água, ou seja, 230 milhões de litros. 

Uma praça e uma rua serão desapropriadas e, ao fim da construção dos reservatórios, reconstituídas. Um galpão também está na lista. O proprietário, informou Josué Valadão, já está há alguns meses em entendimento com a prefeitura.

500 milhões de reais é valor total estimado para as três fases das obras no complexo vilarinho; além dos R$ 200 milhões referentes ao contrato assinado ontem, outros R$ 174 milhões já estão aprovados, informou o secretário Josué Valadão

“Toda a capacidade (de drenagem) existente hoje em Venda Nova é de 240 milhões (de litros de água), estamos praticamente dobrando a capacidade de retenção”, frisou o secretário.

Reivindicação

Apesar do anúncio, moradores e comerciantes da região ainda não se sentem aliviados. “Fico com o pé atrás. Há muitos anos vivemos esse problema, a gente perde tudo todo com as enchentes e não vem nenhuma solução”, disse Lucilene Moreira, que trabalha numa lanchonete na Vilarinho.

Em 2020, a região enfrentou cheias logo no primeiro dia do ano. “É sempre muito triste”, completou a atendente.

Além disso:

Secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Josué Valadão explica que as enchentes que atingem principalmente a Vilarinho são causadas pelo encontro de dois córregos: um que leva o mesmo nome da via e outro, o Nado, que segue, canalizado, pela avenida Doutor Álvaro Camargos (antiga 12 de Outubro), no bairro São João Batista. O cruzamento deles é nas proximidades da rua Maçon Ribeiro, em Venda Nova, perto da estação do metrô Vilarinho.

O resultado é destruição e morte. Em 15 de novembro de 2018, uma mulher e a filha de 6 anos perderam a vida em decorrência de um forte temporal na Vilarinho.

Na mesma ocasião, uma adolescente de 16 anos foi arrastada pela correnteza na avenida Doutor Álvaro Camargos. O corpo dela foi encontrado no dia seguinte.