Em ano marcado pela pandemia de Covid-19, Belo Horizonte está prestes a colocar em prática dois estudos que visam a combater o vetor de outras doenças também consideradas perigosas: o Aedes aegypti. Nas próximas semanas, mosquitos modificados com a bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão de vírus, começam a ser soltos na capital. A expectativa é promissora, vez que iniciativa semelhante na Ásia indicou, recentemente, redução considerável na incidência de dengue entre moradores da Indonésia.

A partir de segunda-feira (31), pesquisadores da UFMG vão abordar pais de estudantes de escolas públicas municipais para que participem do “Evita Dengue BH”. A ideia é, em 6 de novembro, liberar os insetos no entorno de 29 instituições de ensino, em todas as regiões da metrópole, e monitorar 60 crianças, de 6 a 11 anos, para avaliar a incidência das enfermidades transmitidas pelo Aedes.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, até esta sexta-feira (28), Belo Horizonte contabilizava 4.434 casos de dengue confirmados, com uma morte em decorrência da doença. As regiões com mais notificações positivas são Leste, Nordeste e Venda Nova

O grupo da federal mineira utiliza o Método Wolbachia, idealizado pelo World Mosquito Program (WMP) e conduzido no país pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na Indonésia, o estudo foi feito durante três anos e constatou-se redução de 77% nos casos de dengue.

Professora da UFMG e membro da coordenação do projeto, Fátima Brant explica que o acompanhamento dos estudantes de BH será por meio de amostras de sangue, para saber quantos foram infectados. A primeira coleta será feita antes da liberação dos mosquitos, e as outras três entre junho e setembro de 2021, 2022 e 2023.

“Após esse período de quatro anos, vamos analisar os resultados. Validados, o mesmo processo será feito em mais 29 escolas”, contou a docente, que é doutora em Infectologia e Medicina Tropical.

wolbachia

Venda Nova

Em outro projeto, a prefeitura da capital prevê liberar 2 milhões de Aedes aegypti modificados, produzidos em laboratório próprio localizado na região da Pampulha, nos bairros Copacabana, Jardim Leblon e Piratininga, em Venda Nova.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) informou que “as atividades preparatórias para a soltura dos mosquitos já foram iniciadas”. Apesar de a pasta não cravar a data para isso ocorrer, fontes ligadas à regional acreditam que deve ser ainda no próximo mês.

A SMSA informou, ainda, que as liberações dos insetos serão realizadas durante 16 a 20 semanas. A quantidade a ser dispensada na natureza em cada período será avaliada pela prefeitura em parceria com a Fiocruz.

Epidemia

A soltura dos insetos com Wolbachia em Belo Horizonte vai acontecer após um ano epidêmico. Vale lembrar que, em 2019, a metrópole registrou mais de 116 mil casos de dengue, com 34 mortes. As regiões mais atingidas foram Nordeste, Barreiro e Venda Nova.

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