Preso em Betim, na Grande BH, nesta terça-feira (18), o suspeito de estuprar a sobrinha de 10 anos alegou que as relações "foram consensuais". A criança ficou gravida e passou por um aborto com autorização da Justiça na segunda-feira (17).

Pela lei, a idade da vítima configura a relação como estupro de vulnerável, independentemente do possível consentimento. O depoimento do tio foi dado a agentes da Polícia Civil. A corporação concedeu uma coletiva em São Mateus, no Espírito Santo, no início da tarde.

"Informalmente, aos policiais que o estão conduzindo para cá, ele afirmou que realmente possuíra intimidade com esta criança, (...) mas alega que fora consentido", disse o delegado Ícaro Ruginski, superintendente da Polícia Regional Norte.

O suspeito também teria revelado aos policiais que vinha mantendo relações com a menina desde o ano passado. De acordo com o delegado, o tio teria fugido da cidade capixaba na sexta, após as primeiras notícias da gravidez da sobrinha.

A Polícia Civil começou, então, o trabalho de monitoramento do suspeito, verificando a passagem dele pela casa de parentes. Primeiramente, em Nanuque, na região do Vale do Mucuri. Depois, ele se deslocou para Betim. "Conseguimos entrar em contato com ele, que já percebeu que não tinha como fugir mais. Temia pela integridade física e resolveu se entregar", detalha.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, coronel Alexandre Ramalho, a vitima viva em situação de risco. "É filha de mãe andarilha e morava com os avós. Agora, este caso prosseguirá com a investigação para que este monstro fique preso e seja punido".

Abuso e aborto

O caso tomou conta dos noticiários nos últimos dias. A Justiça autorizou a interrupção da gravidez, que era de alto risco - tanto para a criança quanto para o bebê. O fato gerou muita discussão em todo o país.

O procedimento ocorreu em um hospital de referência em Pernambuco. A menina estava na unidade desde domingo (16). A Secretaria de Saúde de Pernambuco informou, em nota, que "todos os parâmetros legais estão sendo rigidamente seguidos".

Protestos

Após a revelação, manifestantes ligados a religiões e contrários ao aborto realizaram protestos do lado de fora da unidade em Recife. Eles tentaram impedir que o diretor do hospital entrasse no prédio e chegaram a chamar o profissional de "assassino".

Houve tumulto, com um grupo tentando invadir o local e a Polícia Militar foi acionada. Por lá, ocorreu também um ato em apoio ao procedimento, defendendo o direito da criança.

Veja abaixo a íntegra da coletiva:

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