O Conselho Municipal de Educação (CME) de Belo Horizonte vai propor à prefeitura que haja uma junção entre os anos letivos de 2020 e 2021, desvinculando o calendário escolar do calendário civil. De acordo com a presidente da entidade, Bernadete Quirino Duarte, para que isso seja feito, deverá haver um trabalho intenso de avaliação sobre o conteúdo, que poderá ser abordado com os alunos após o retorno das aulas, suspensas desde março por causa da pandemia de Covid-19. 

Para que o conteúdo possa ser apresentado aos estudantes de maneira mais eficiente, possivelmente haverá uma redução nas matérias trabalhadas em sala de aula. “Temos que olhar para a base curricular e ver os objetivos de cada etapa, para pensar em um enxugamento, pensar numa proposta que seja mais essencial”, afirmou Bernadete, acrescentando que uma opção será trabalhar mais projetos interdisciplinares ao repensar o conteúdo determinado pela Base Nacional Comum Curricular.

Segundo ela, essa análise deverá ser bastante criteriosa, para que não haja perda para os alunos, sobretudo da rede pública. “A proposta precisa ser estudada, aprimorada, construída. Para cada medida, pensar nas consequências, porque, ao fazer as coisas apressadamente, há um risco de pensar em uma proposta para mitigar danos e gerar danos ainda maiores”, afirmou.

Bernadete informou que o conselho agora irá se debruçar sobre esse assunto e outras questões que surgiram desde junho, quando o grupo de especialistas divulgou um parecer sobre a grave crise vivenciada pelas instituições de Educação Infantil – estima-se que mais de 30% das matrículas tenham sido encerradas nesse setor.

Nesta terça-feira (11), em entrevista à CBN, o prefeito Alexandre Kalil declarou que a retomada das aulas nas redes de ensino particular e pública da capital dificilmente ocorrerá antes do advento da vacina contra a Covid-19. Para ele, a volta só deverá ocorrer com as duas redes juntas, caso contrário haveria uma intensificação das desigualdades sociais.

Questionada se há a possibilidade de que os calendários 2020 e 2021 sejam unificados no ensino em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Educação (Smed) afirmou que a proposta de dois anos em um “é do Ministério da Educação, e foi publicada no diário oficial da União no início de abril, ao se dar conta de que, para a maioria dos estudantes brasileiros não será possível finalizar 800 horas este ano, e até mesmo para as redes que optaram pelo EAD”. A secretaria relembrou que a Medida Provisória 934 permite que o ano letivo de 2020 possa se estender para o ano civil 2021.

As secretarias municipal e estadual de Educação estão desenvolvendo protocolos para o retorno das aulas, mas não há previsão de data para isso em Belo Horizonte.