No transporte público, lotação e muitas reclamações. Na rua, movimento intenso de carros e calçadas abarrotadas de pedestres. No shopping, fila nas portarias quase dobrando quarteirão e consumidor aguardando mais de uma hora para entrar. Não bastassem todos esses riscos coletivos, muita gente ignorava a própria saúde, com a máscara de proteção no queixo.

O primeiro dia da flexibilização do comércio na capital foi marcado por abusos e descuido. Sinal de que a metrópole precisará aumentar a fiscalização, além de contar com a ajuda da população para evitar o avanço da Covid-19. Dentro das lojas, porém, as medidas de segurança eram seguidas à risca, como o controle de acesso e a medição de temperatura. Até ontem, o novo coronavírus já tinha matado 621 belo-horizontinos.

Após 139 dias de interdição total, os shoppings centers eram a principal novidade e uma das maiores preocupações. Em centro de compras, houve até aglomeração. Para entrar, era preciso enfrentar uma fila. Mas nada que desanimasse os consumidores. Teve gente que chegou uma hora antes da abertura.

Lá, nada de cinema ou praça de alimentação liberada. As lojas, porém, estavam abertas. A guia turística Denise Lins Resende, de 52 anos, não escondeu a saudade em fazer compras. “No shopping encontramos de tudo”, disse. 

Perto dali, nas imediações da Galeria do Ouvidor, o fluxo de pedestres também era intenso. Muitas pessoas ignoraram o uso obrigatório e correto das máscaras. A Guarda Municipal garantiu que fiscaliza - a multa é de R$ 100. Mas quem não tem o equipamento pode recebê-lo da própria corporação.

Deslocamentos

Grande parte do público que compareceu ao Centro foi de ônibus. O transporte público também foi um gargalo. Passageiros reclamaram de veículos cheios. 
A aposentada Maria da Conceição Bernardes, de 78 anos, precisou ir a duas consultas médicas. “Tinha gente quase que em cima do motorista, de tão cheio que estava. Não estava saindo de casa, mas hoje precisei”.

O DER informou que tem feito fiscalizações constantes e aplicou mais de 5 mil multas, desde o início da pandemia, por descumprimento do quadro de horários e excesso de passageiros. Em nota, a BHTrans disse que “foram disponibilizados ônibus extras”. Fiscalização é feita diariamente para garantir o cumprimento dos decretos municipais que devem ser seguidos pelas concessionárias.

Já o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros disse que, nos dias de funcionamento das lojas e shoppings, vai ampliar as viagens em 15%. Reforço será avaliado conforme a demanda. 

Integrante do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 em BH, o infectologista Unaí Tupinambás diz que o fluxo diário de pessoas no transporte público preocupa. Em caso de coletivo cheio, ele aconselha aguardar outro veículo e orienta a quem precisa sair de casa que, se possível, procure horários alternativos para fugir do pico. Máscara, evitar conversar nos ônibus e higienizar as mãos após o uso do modal também são recomendações.