O prefeito de Itajaí, em Santa Catarina, provocou polêmica nas redes sociais nesta terça-feira (4) ao defender a aplicação de ozônio no ânus no tratamento de pacientes com Covid-19. De acordo com Volnei Morastoni (MDB), que é médico, a ozonioterapia poderá ser ofertado no município, que já promoveu a distribuição de mais de um milhão de comprimidos de ivermectina para moradores – ação contestada pelo Tribunal de Contas catarinense.

“Além da citromicina, além da cânfora, nós também vamos oferecer o ozônio. É uma aplicação simples, rápida, de dois ou três minutinhos por dia, provavelmente via retal, tranquilíssima, rapidíssima, em um cateter fininho, e isso dá um resultado excelente”, disse o prefeito, em uma transmissão ao vivo realizada pelo perfil da prefeitura de Itajaí no Facebook.

O uso da ozonioterapia no tratamento da Covid é contestado pelos infectologistas, de acordo com Estevão Urbano, presidente da Sociedade Mineira de Infectologia. “O ozônio é, sabidamente, um agente que pode ser bactericida e virucida, mas daí para falar que pode tratar a Covid há uma distância muito grande. Não existe nenhuma referência que possa justificar esse ato e não concordamos de forma alguma com a preconização disso”, afirmou.

Vários estudos estão sendo realizados no mundo para se verificar a eficácia de fármacos no tratamento da Covid. Até o momento, os únicos medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no tratamento da doença são antitérmicos e analgésicos – além de antibióticos quando há infecções associadas. Não há comprovação científica de que ivermectina ou cloroquina (medicamentos defendidos por Morastoni) tenham eficácia no tratamento da doença. 

Desde 2018, o Ministério da Saúde considera a ozonioterapia como uma das Práticas Integrativas e Complementares – assim como homeopatia, acupuntura e aromaterapia.

Veja vídeo em que o prefeito de Itajaí falou sobre o uso da ozonioterapia no tratamento da Covid: