Defendida por especialistas, a ampliação dos testes rápidos para Covid-19, anunciada pela prefeitura, pode abranger até 60 mil usuários da rede pública de saúde que apresentarem sintomas da doença em Belo Horizonte. A ideia é mapear a pandemia na metrópole, em especial os casos em áreas de vulnerabilidade social, onde há maior dificuldade de acesso aos exames para o novo coronavírus.

A expansão abrange pacientes que integram o grupo de risco para a enfermidade e que procurarem os centros de saúde da capital ou forem atendidos por meio de teleconsultas, disponibilizadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). Entram na relação doentes com obesidade mórbida, cardiopatas e com problemas pulmonares, diabéticos, gestantes e puérperas (até duas semanas após o parto), dentre outros.

O teste rápido poderá ser feito a partir do oitavo dia do surgimento dos sintomas, quando o organismo já deve ter adquirido anticorpos. Antes desse período, é alta a chance de dar resultado falso-negativo.

Com a ampliação, a tendência é de que as estatísticas da Covid-19 aumentem em BH. “Pois estaremos, de fato, testando a população. É importante para saber a exposição e a vulnerabilidade dos moradores da cidade”, frisou o gerente da Rede Ambulatorial da SMSA, André Menezes.

Até ontem, conforme boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura, 18.415 belo-horizontinos foram diagnosticados com a doença e 482 morreram em decorrência de complicações.

Aumentando a testagem, André Menezes acredita que será possível conhecer a real situação do novo coronavírus na metrópole. “Sobretudo na periferia. Quem hoje tem acesso facilitado ao exame é quem faz pelo plano de saúde ou paga por ele. Ampliando, a gente consegue ‘fechar’ os casos de quem não seria testado”.

A quantidade de amostras coletadas, porém, vai depender da evolução da pandemia. Segundo o gerente da SMSA, os atuais índices indicam que a capital vivencia a estabilização dos casos, apesar de os números ainda se apresentarem altos. “Vai ter queda na próxima semana? Ou vai se manter por mais tempo? Não descartamos uma nova aquisição de testes se essa última possibilidade ocorrer”, frisou.

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