O prefeito Alexandre Kalil afirmou nesta quinta-feira (9), em entrevista ao Hoje em Dia, que não tem ideia de quando as aulas na rede municipal poderão voltar. Ele criticou ainda quem defende o ensino remoto emergencial para os alunos da rede pública. “Quem pensa em aula a distância não conhece a pobreza no Brasil”, afirmou o prefeito.

Kalil disse que a questão do ensino remoto para os estudantes da rede municipal vai além do acesso à tecnologia. “(Falar em ensino remoto) é de um cinismo, de um desconhecimento da pobreza absoluto. Nós estamos falando de lugar que não tem água, não tem luz. Nós estamos dando cesta básica em ocupação, e eles não têm luz! Não é internet, não, eles não têm luz!”

A rede municipal tem 200 mil alunos e as famílias estão sendo assistidas, desde abril, por meio de cestas básicas entregues pela prefeitura. A entrega será feita durante a pandemia e deve ser interrompida depois que o período emergencial for encerrado, segundo o prefeito. 

Data de retorno

De acordo com Kalil, o retorno às aulas é um assunto fora da pauta no momento. Segundo ele, um protocolo está sendo desenvolvido pela Secretaria Municipal de Educação, mas as escolas só poderão ser reabertas no momento em que houver uma maior segurança em relação ao novo coronavírus.

“Quero saber o seguinte: alguém que tem filho mandaria ele para a aula? Porque meu menino eu não mandaria”, disse o prefeito. “Se vai mandar seu filho para um ambiente que é contaminado, aí ele convive com avô, convive com a avó, ele é assintomático, mas o pai não é... é birutice pensar em aula”.

Ensino nas outras redes

O ensino remoto emergencial foi adotado por escolas particulares e pela Secretaria de Estado de Educação (que lançou um estudo dirigido pela internet e tem realizado teleaulas pela Rede Minas). 

Protocolos estudados

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Educação afirmou que está discutindo o protocolo de aulas presenciais, de acordo com as normas legais e orientações do Comitê de Enfrentamento da Pandemia do Covid-19 e da Secretaria Municipal de Saúde. Mas a pasta deixou claro que o sucesso no enfrentamento à Covid-19 não está na qualidade das regras colocadas no protocolo, mas, sim, na escolha acertada da data de retorno das aulas.

Conforme a pasta, os especialistas verificaram que os protocolos adotados em diferentes países costumam ter as mesmas orientações – distanciamento, uso de máscaras, higienização constante de mãos, retorno gradual e com preferência para crianças mais autônomas primeiro, rodízios, tempos diminuídos. Mas eles não são suficientes para garantir que não haja transmissão entre crianças – que muitas vezes são assintomáticas ou pouco sintomáticas, mas podem contaminar adultos.

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