Nem o recuo na flexibilização da quarentena nem o aumento de doentes com Covid-19 em estado grave na capital são suficientes para manter os belo-horizontinos em casa. Quase duas semanas depois de o comércio ser novamente fechado na cidade, em 29 de junho, o índice de isolamento social permanece o mesmo do período em que serviços não essenciais podiam abrir as portas.

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Amigas aproveitaram o dia na praça para beberem cerveja em meio à pandemia

Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Planejamento, a taxa estava em 47% em 22/6, a segunda-feira anterior à flexibilização – o índice foi o mesmo registrado uma semana depois. Domingo é o único dia que a adesão chega a 50% na metrópole.

“O dado é surpreendente. A efetividade da medida está abaixo do que aconteceu no primeiro fechamento da cidade, mesmo o belo-horizontino passando agora por um momento muito pior do que naquela época”, lamentou o infectologista Estevão Urbano, membro do Comitê de Enfrentamento à Covid-19 da capital.

Em 20 de março, quando entrou em vigor o primeiro decreto restringindo o comércio na metrópole, BH tinha 20 casos da doença e nenhuma morte. Agora, conforme boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), já são 8.574 pessoas com diagnóstico positivo e 200 óbitos - um aumento de 511% e 376%, respectivamente, ao se comparar com os números referentes a 25 de maio, quando houve a flexibilização.

A taxa de ocupação de UTI, que nesta semana tem superado 90% – ontem bateu o recorde de 92%, indica, inclusive, a gravidade do atual cenário. “Estudos internacionais apontam que 20 a cada cem doentes com Covid vão ter problemas mais sérios”, destaca Estevão Urbano.

isolamento social

Desafio

O desafio é conscientizar as pessoas a só sair de casa em extrema necessidade. Nos últimos dias, o Hoje em Dia flagrou moradores fazendo atividade física ao ar livre e até bebendo cerveja em praça, sem demonstrar qualquer preocupação.

Ao mesmo tempo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) já admite o risco de transmissão aérea do novo coronavírus. A possibilidade ainda está em debate, frisa Estevão Urbano. “Mas, só de haver a hipótese, faz com que repensemos as formas de controle e aumenta a relevância do distanciamento e isolamento social”.

A falta de adesão à quarentena prejudica, inclusive, o comércio, observa o secretário municipal de Planejamento, André Reis. Apesar de o número de pessoas nas ruas permanecer o mesmo no período da flexibilização e após o recuo, ele alerta para o maior risco de infecção. 

“O total de moradores circulando está muito parecido, mas dentro desse percentual agora tem um maior universo de pessoas infectadas, transmitindo o vírus. Isso refletiu no número de internações na UTI, o que muito preocupa”.

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